O mercado de automóveis usados voltou a crescer em 2020, impulsionado por três fatores: o encarecimento do carro zero, medo do uso de coletivos (devido à pandemia do Covid-19) e maior demanda para trabalho terceirizado em aplicativos de transporte. Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), em outubro o volume de automóveis de passeio e comerciais leves usados negociados foi 6,35% superior a setembro. 

Percentual corresponde a 1.08 milhão de unidades. De janeiro a outubro foram vendidos 7,2 milhões de usados. E o volume só não foi maior devido aos fechamentos do comércio atendendo às exigências sanitárias para conter o avanço da pandemia. 

Mas comprar um carro usado exige cuidados. Procedência, estado de conservação, sinistros, anúncios falsos, adulterações, multas são alguns dos riscos que o consumidor precisa ficar atento. Para driblar os possíveis golpes, o consumidor sempre deve contar com opinião de um especialista, verificar se o carro tem impedimentos. 

Uma opção é utilizar o aplicativo Sinesp Cidadão. Por ele é possível saber se o carro tem algum impedimento apenas digitando a placa. Mas para uma pesquisa mais detalhada, como saber se o carro já foi roubado ou teve sinistro acionado, aí é preciso pagar pela verificação. Há diversos sites que oferecem esse tipo de serviço, como Check@uto e similares.

Para ajudar o consumidor a encontrar o carro ideal e não ter dor de cabeças, a Tecnobank lançou uma ferramenta batizada de MaxReport. Ela combina dados estatísticos que fazem uma varredura do veículo combinando informações, como consulta da placa, decodificação, laudo veicular, registros de leilão e avaliação de garantia.

De acordo com o superintendente de Engenharia de Produtos da Tecnobank, Isaac Ferreira, é possível evitar fraudes e prejuízos para todas as partes se, no momento da compra, forem tomados alguns cuidados. “A verificação detalhada do veículo e da documentação deve cumprir passo a passo que hoje em dia é possível de ser facilmente realizado com a ajuda da tecnologia”, explica. 

Segundo Ferreira, o cruzamento das informações revela indicadores de risco. Por exemplo, a avaliação de garantia pode revelar restrições judiciais, como bloqueio do veículo pela justiça, restrições financeiras. Ou seja, quando o carro já possui uma alienação por outra instituição financeira. Também pode apontar indicações de furto, roubo e até mesmo qual percentual de valor do veículo está comprometido com multas. 

Já o decodificador permite identificar fraudes no chassi do veículo. A ferramenta analisa os 17 caracteres alfanuméricos do chassi, o que impede ou inibe, por exemplo, uma prática bastante comum que é a tentativa de alteração do modelo do carro, a fim de elevar seu valor perante a financiadora. 

“Hoje em dia, a quantidade de irregularidades e práticas ilícitas neste mercado é enorme e sem o apoio da tecnologia é muito difícil manter a transparência e garantir a lisura das transações. Assim como quem compra quer ter a certeza de que está realizando um negócio seguro, quem financia também precisa estar certo disso, afinal o veículo é a garantia que a instituição possui de que terá o dinheiro emprestado de volta”, completa.