Os supermercados mineiros tiveram um desempenho acima do esperado para 2019, com crescimento nas vendas de 4,22% em relação a 2018 e faturamento de R$ 37,3 bilhões. 

O aumento foi superior ao estimado pela própria Associação Mineira de Supermercados (Amis) para o período (4%) e também maior que o registrado pela Associação Brasileira de Supermercados para todo o país, de 3,62%. Segundo a Amis, foram abertos 72 novos supermercados no Estado, ao longo do ano, e gerados 7.795 postos de trabalho, totalizando, agora, 205.481 empregos diretos, em 7.314 supermercados. 

Além de 4% de elevação nas vendas, a previsão feita pela entidade para 2019 era de 70 novas lojas e cerca de 7.300 novos empregos. O balanço foi divulgado ontem à tarde, junto à projeção de crescimento ainda maior para 2020, de 4,5%. 

De acordo com a associação, já era esperado que houvesse um crescimento acima do nacional, conforme o Índice Nacional de Vendas da Abras. “Minas e São Paulo normalmente regulam para cima a média nacional”, afirmou Antônio Claret, presidente executivo da Amis, que atribui a surpresa positiva, principalmente, ao ambiente econômico do país. 

“O que levou a esse crescimento foi a pequena redução do desemprego, a inflação sob controle, com os preços dos produtos ficando estacionados, além das campanhas e promoções realizadas pelas lojas”, avalia o presidente executivo da Amis. 

Ainda segundo Claret, tal cenário também foi favorecido pela aprovação da reforma da Previdência. O executivo projeta um desempenho ainda melhor para 2020, demonstrando tranquilidade diante de uma possível retração econômica diante dos efeitos do coronavírus. “Por enquanto, não há preocupação com o coronavírus. Por outro lado, caso haja redução das exportações de alimentos, isso vai derrubar o preço interno, contribuindo, assim, para o aumento das vendas”.

 

Performance regionalizada também trouxe algumas supresas

A região Central de Minas Gerais obteve os melhores índices de desempenho do setor supermercadista no Estado em 2019, segundo os dados da Amis. O crescimento na área foi de 6%. Já a Zona da Mata teve a pior performance, com 2,6% de crescimento. 

“Isso se deve ao referencial da Zona da Mata, que em 2018 cresceu 7,77% enquanto a média do estado foi de 2,98%”, contextualiza Antônio Claret.
Quanto ao desempenho em relação ao mês anterior, isto é, dezembro sobre novembro, o comportamento regional ficou próximo da média estadual. O maior crescimento ocorreu no Sul, com 16,03% de elevação nas vendas, e o menor ficou com a Zona da Mata, com 13,95%.

Voltando ao desempenho acumulado regional, outro destaque, segundo a Amis, foi a recuperação da região Norte/Noroeste que, depois de cair 2,56%, em 2018, apresentou resultado positivo de 3,14% em 2019. 

Na comparação de dezembro de 2019 sobre novembro de 2019, o crescimento de vendas geral foi de 15,11%. Os resultados estão deflacionados pelo IPCA/IBGE.
Esse último dado chama a atenção porque, no comparativo de dezembro sobre novembro, o crescimento, tradicionalmente, era superior a 20%.

A variação, no entanto, é explicada pela crescente adesão do setor supermercadista à campanha da Black Friday, em novembro. A data sazonal vem se tornando a cada ano mais importante para o setor.

A Amis também informou que vem registrando outra tendência dentro dos perfis dos supermercados. 

Segundo Claret, entre as 72 novas lojas em Minas, em 2019, 32 são supermercados “de vizinhança”, 22 atacarejos, sete express, seis hipermercados e cinco gourmets. 

“Os hipermercados estão desaparecendo. Os consumidores procuram os de vizinhança, o modelo da vez, porque cada vez têm mais pressa, querem andar pouco e resolver logo. Ou, então, recorrem aos atacarejos”, aponta o presidente-executivo da Amis.