Alheio à crise econômica, o mercado de cavalo Mangalarga Marchador cresce a passos largos. Entre julho do ano passado e este mês, quando é realizada a 38ª Exposição do Cavalo Mangalarga Marchador, que vai até 27 de julho, no Parque da Gameleira, e encerrado o ano hípico, a previsão é a de que haja aumento de 15% nas negociações dos equinos.

Um dos motivos do crescimento, conforme o vice-presidente da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM), Maurício Constâncio Filho, é o aumento do uso da tecnologia no setor e a consequente melhoria da qualidade do cavalo. “Temos que pensar no cavalo como se fosse o produto de uma empresa. Se não tiver qualidade, não tem saída”, enfatiza, lembrando que o evento em BH deve movimentar R$ 30 milhões nesta edição.

Os negócios atrelados à raça também ajudam a alavancar o setor, conforme afirma o presidente da entidade, Daniel Borja. “Hoje, vários segmentos de trabalho estão relacionados com a criação da raça: medicamentos veterinários, associações, fábricas de ração, selaria e acessórios, feno, escola de ferrageamento, leilões, produtoras de vídeo, gráficas, serviço veterinário, entre muitos outros”, diz.

Ele destaca que o segmento reponde por 40 mil empregos diretos e 200 mil indiretos. “Além de ser uma raça que envolve muito amor e paixão de seus criadores, é a que tem a maior liquidez na hora de vender. Ou seja, é uma excelente opção de investimento para quem busca alternativas”, comenta.

Investimentos

Apesar de ser uma boa opção de investimento, com altos ganhos, o criador Lael Vieira Varella Filho, da Fazenda Cachoeira, localizada em Muriaé, na Zona da Mata, alerta que é um negócio arriscado. De acordo com ele, não é possível precificar o animal com exatidão, mesmo que o aporte em tecnologia seja alto. “O valor não cavalo não pode ser contabilizado de forma exata, não é uma matemática. Nesse ramo, nem sempre um mais um é igual a dois”, pondera.

Mesmo com os riscos, ele tem colhido bons frutos. No último ano hípico, o criador viu os negócios aumentarem em 15%. Com 450 animais na fazenda e 20 empregados dedicados exclusivamente aos cavalos, ele comenta, porém, que tem dificuldades de encontrar mão de obra qualificada. “Um bom montador ou apresentador chega a receber mais de R$ 5 mil. Mas muitas vezes não encontramos esse profissional”, lamenta.

Também criador, o vice-presidente da associação, proprietário do haras MZC, afirma que a maioria das pessoas que trabalham na área vêm de uma geração de cuidadores de equinos. 

“Muitos aprenderam o ofício com os pais, ou com os avós”, afirma. No entanto, ele destaca que a ABCCMM também oferece cursos. “A associação dá todo o suporte para os criadores que queiram melhorar a criação. Temos cursos de qualificação, ajudamos na escolha genética, entre outros”, garante.

Exposição
A 38ª Exposição do Cavalo Mangalarga Marchador tem início às 8h e vai até às 22h. Os ingressos inteiros custam R$ 30 (segunda, terça e quarta-feira) e R$ 50 (quinta, sexta, sábado e domingo). O estacionamento para carros custa R$ 10 a hora e R$ 50 a diária. Para moto, o valor é R$ 5,60 a hora e R$ 25 a diária.