Depois de cinco meses de crescimento no volume de vendas, o comércio varejista em Minas recuou em outubro. A informação está na Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada nesta quinta-feira (10), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com os dados da PMC, o recuo no volume de vendas no comércio varejista mineiro foi de 0,3%. O resultado obtido no Estado vai na contramão da taxa nacional de vendas no varejo, que, segundo o IBGE, cresceu 0,9% em outubro. O estudo aponta que 22 das 27 unidades da Federação apresentaram avanço nas vendas, com destaque para o aumento alcançado na Bahia (3,5%), Piauí (3,1%) e Mato Grosso do Sul (2,9%).

A queda das vendas no varejo no Estado, no entanto, não é vista com uma tendência para os próximos meses. O economista-chefe da Fecomércio-Minas, Guilherme Almeida, considera que o desempenho negativo em outubro é resultado de mudanças pontuais – como inflação de produtos e necessidades dos consumidores –, que acabam influenciando no consumo das famílias. 

“É um resultado muito mais sazonal do que uma tendência. Tivemos, nos últimos meses, uma pressão inflacionária nos alimentos, em tarifas públicas, que acabou fazendo o consumidor colocar o pé no freio nas compras, para se precaver”, avalia Almeida.

E a maior luta dos comerciantes neste fim de ano é justamente convencer os consumidores a colocarem novamente o pé no acelerador. 

A empresária Juliana Braga está à frente de uma rede de lojas de roupas femininas que tem seis unidades na capital mineira. No mercado há mais de 30 anos, a empresa amargou queda nas vendas em torno de 40% em outubro, em comparação com o mesmo mês em 2019. Para alavancar as vendas, Juliana Braga está investindo no comércio digital. “Temos que atrair os clientes as nossas lojas, sejam físicas ou virtuais. Não há como ficar apenas contabilizando prejuízos”, enfatiza.

Para o economista Guilherme Almeida, o fim do ano deve apresentar resultados melhores nas vendas do varejo do que os de outubro. Não só pela chegada dos festejos, mas também pela expectativa de uma solução para a pandemia, com a chegada de vacinas contra a doença. “Estamos começando a nos aproximar de uma onda de otimismo que vai impactar nas vendas”, acredita o economista da Fecomércio.

Para Juliana Braga, o aumento das vendas virá de um esforço coletivo – do poder público, mídia e empresários – que incentive as pessoas a consumirem com responsabilidade e irem às compras nas lojas físicas neste fim de ano.

“Infelizmente, vivemos uma luta inglória de chamar os consumidores para irem às lojas, quando do outro lado existe uma pressão para que fiquem em casa. É preciso haver um meio termo, porque o vírus está aí, e ele mata, mas é possível tomar as precauções para não contrair a doença e tentar viver com um mínimo de normalidade”, defende.