Por determinação da Justiça, o vereador Cláudio Duarte (PSL) foi afastado do cargo na Câmara Municipal por um período de 60 dias, após ser preso na manhã desta terça-feira (2) pela Polícia Civil. O parlamentar é acusado de liderar um esquema de "rachadinha" em seu gabinete, prática na qual o político obriga seus funcionários a devolverem parte dos salários recebidos.

Segundo a Polícia Civil, Duarte teria embolsado ao menos R$ 1 milhão com o esquema, desde que assumiu o mandato na Câmara Municipal, em 2017. O crime, porém, começou a ser premeditado ainda em 2016, logo após o vereador do PSL ser eleito.

"As invetigações mostram que ele planejou o esquema ainda em 2016 e começou, nessa época, a recrutar os primeiros funcionários, antes mesmo de assumir como vereador", disse o delegado Domiciniano Monteiro, chefe da Divisão de Fraudes e Crimes Contra a Administração Pública.

Ao todo, 35 funcionários passaram pelo gabinete desde 2017, mas a Polícia Civil ainda não confirmou quantos deles teriam envolvimento no caso. O operador identificado do esquema, contudo, era o chefe de gabinete, Luiz Carlos Cordeiro, que foi preso junto com o vereador.

O delegado ainda informou que os funcionários eram coagidos a depositar parte dos salários logo no dia do pagamento, sem direito a atraso, e sob ameaças do vereador. "Muitos funcionários foram ameaçados de perder o emprego se revelassem o esquema. Até familiares dos funcionários foram ameaçados. O próprio vereador tentou atrapalhar as investigações com as ameaças", disse o delegado.

Ainda de acordo com as investigações, todo o dinheiro levantado com o esquema era sacado na boca do caixa por cada funcionário individualmente e repassado em espécie ao vereador do PSL, através da mediação de seu chefe de gabinete.

"Os valores variavam. Tem caso de salário de R$ 11 mil, mas o funcionário recebia R$ 1 mil e o vereador ficava com R$ 10 mil. Em outras situações, o vereador ficava com 10% do salário. E funcionava assim: os funcionários sacavam o dinheiro e repassavam em espécie para o chefe de gabinete, responsável por distribuir as quantias em dinheiro ao parlamentar", disse o delegado.

Durante os cinco mandados de busca e apreensão cumpridos nesta terça-feira (2), a Polícia Civil chegou a encontrar parte do dinheiro das "rachadinhas" na casa do parlamentar, no bairro Céu Azul, na região da Pampulha. A quantia apreendida, porém, não foi revelada.

O vereador Cláudio Duarte ainda vai prestar depoimento à Polícia Civil nesta terça. Ele e o chefe de gabinete Luiz Carlos Cordeiro estão detidos no Departamento Estadual de Investigação de Fraudes, no bairro Santa Efigênia. Os dois presos ainda aguardam liberação do sistema prisional para serem encaminhados a um presídio, segundo a Polícia Civil. A prisão dos dois acusados é temporária, ou seja, válida por cinco dias, com possibilidade de prorrogação por igual período. 

Outros quatro funcionários lotados no gabinete de Cláudio Duarte, suspeitos de envolvimento no crime, também irão prestar depoimento à Polícia Civil nesta terça-feira (2). 

O advogado do vereador e do chefe de gabinete, Ênio de Jesus, disse que as acusações da Polícia Civil não "correspondem à realidade" e que Cláudio Duarte e Luiz Carlos Cordeiro já apresentaram documentações patrimoniais e de movimentações financeiras à polícia. O advogado também pediu o relaxamento da prisão temporária dos dois acusados.

"Essa situação está clara que vem de desafetos do vereador, nada pode ser tomado como fato. Os meus dois clientes já apresentaram toda a documentação solicitada e estão dispostos a esclarecer tudo o que for necessário", disse o advogado.

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