Vereadores de Belo Horizonte votam nesta quarta (14) o pedido para a instalação de mais uma comissão processante contra Wellington Magalhães (DC), suspeito de quebra de decoro parlamentar e de participar de um esquema que teria desviado R$ 30 milhões da Câmara Municipal, entre 2015 e 2016, quando presidiu a Casa.

Em agosto do ano passado, Magalhães foi julgado em plenário pelos pares, mas se livrou da perda de mandato em razão da abstenção de colegas. Eram necessários 28 votos, mas 23 parlamentares desejaram a cassação e 15 se abstiveram.

Desta vez, o caso ganhou novo capítulo com a divulgação, na semana passada, de áudio em que Magalhães supostamente faz ameaças ao vereador Mateus Simões (Novo), autor do pedido de cassação, e ao promotor de Justiça Leonardo Barbabela, que o investiga por suspeita de corrupção. 
O áudio foi gravado escondido de Magalhães, supostamente, em uma conversa com outros parlamentares. Tanto Simões quanto Barbabela estão com escolta policial.

Em um trecho, o ex-presidente da Câmara diz: “O trouxa, babaca do Barbabela, que qualquer dia... Até a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) está rindo dele. Na sexta, ele entrou (com o pedido de cassação)... Então, o que ele está fazendo é uma força, ele sabe que, que... Que o Mateus... Foi tudo orquestrado. Pensar que agora, ele me chamar do que me chamou ali, por isso que um cara chega e morre aí por causa disso”. 
Em outro trecho, Magalhães fala em morte: “Não sou homem de dedar ninguém, não sou covarde. Se o cara fizer um negócio desse comigo, morre eu e ele”.

Barbabela preferiu não comentar o assunto com a imprensa. Em nota, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) informou que “recebeu representação noticiando os fatos e já tomou as providências iniciais relacionadas às investigações, bem como adotou as medidas necessárias à segurança dos promotores de Justiça e parlamentares, de modo a impedir qualquer tentativa de interferir ou inibir o regular funcionamento das instituições do estado”.

Já Simões disse confiar na abertura do processo de cassação. Serão necessários 21 votos dos 41 parlamentares. “O pedido será votado na quarta-feira e acredito que só ele (Wellington Magalhães) não irá votar para a abertura. A comissão terá três vereadores, que serão sorteados”.
Sendo aprovado o pedido, a comissão terá prazo de até 90 dias para apresentar o relatório.

Tráfico de influência

Além da suspeita de desvio de R$ 30 milhões, Magalhães é acusado por Simões de tráfico de influência e uso de tornozeleira eletrônica, o que caracteriza quebra de decoro parlamentar.

O ex-presidente é monitorado desde maio do ano passado, quando deixou a prisão. Magalhães ficou detido por pouco mais de um mês, alvo da operação Sordidum Publicae (Política Suja), deflagrada em abril de 2018 pela Polícia Civil.

O Hoje em Dia não conseguiu contato com Magalhães e com o escritório de advocacia que o defende. Em entrevista à Globo Minas, no fim de semana, o ex-presidente da Câmara pediu desculpas ao promotor de Justiça, alegando que sua fala foi um desabafo: “Eu quero pedir perdão ao promotor Barbabela, que ele está no papel dele. (...) Talvez, naquele período que eu falei, me desabafando, eu posso ter atacado. Então nisso eu peço perdão”.

Em relação a Simões, ele afirmou que a desavença entre ambos é política. “É a ideologia que ele tem do partido Novo. E eu. Ele querendo provar que ele é o moralista da Câmara. É só isso. Ele é o cara que ele denuncia, investiga e condena. Ele virou isso aqui”, disse.