Preso na última sexta-feira (9), o vice-governador de Minas, Antônio Andrade (MDB), negou ontem, por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa, ter participado do suposto esquema de corrupção investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério da Agricultura. Antônio Andrade é um dos 18 alvos da Oeração Capitu, desdobramento da  “Lava Jato”, por suspeita de ter recebido pelo menos R$ 15 milhões pagos em propinas repassadas a outros parlamentares mineiros. As irregularidades teriam sido cometidas durante o governo de Dilma Rousseff (PT). Ele foi detido em Vazante,  Noroeste de Minas, e encontra-se preso no presídio Jacy de Assis, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro.

De acordo com a nota, o vice-governador fora surpreendido com a decretação da  prisão provisória por 5 dias e reafirma  inocência. "Ele declara não ter realizado, quando esteve à frente do Ministério da Agricultura, nenhum ato em benefício do Grupo JBS ou mesmo ter recebido  vantagem indevida", informa a assessoria. A nota informa ainda que o vice-governador  renunciou ao seu sigilo bancário e fiscal disponibilizando à Justiça suas declarações de bens e de seus familiares.

A assessoria  acrescentou que os atos e as prestações de contas das campanhas do vice-goverandor foram feitas em conformidade com a legislação em vigor e devidamente aprovadas pela Justiça Eleitoral.

"Não é verdade que ( o vice-governador Antônio Andrade) tenha sido indicado para os cargos de ministro e de vice-governador por força de quaisquer interesses escusos, mas sim porque possui 30 anos de vida pública, com um passado limpo e uma história de dedicação na busca do bem comum. Por fim, agradece a todas as manifestações de apoio e solidariedade recebidas registrando sua confiança no Poder Judiciário", informou a nota.

Segundo as investigações da Polícia Federal, enquanto era ministro da Agricultura, entre 2013 e 2014, Andrade teria recebido propina, tendo repassado parte do dinheiro a candidaturas de deputados estaduais e federais de Minas Gerais, durante as eleições de 2014.

O responsável por transferir o dinheiro a Andrade teria sido o deputado federal Eduardo Cunha (MDB), que usou outros R$ 15 milhões de propina para financiar sua própria campanha vitoriosa à presidência da Câmara dos Deputados, de acordo com a Polícia Federal.

O principal objetivo do suposto esquema seria privilegiar no mercado internacional e nacional a empresa JBS, do empresário Joesley Batista, também preso na sexta-feira (9) na operação Capitu. A PF ainda trabalha para identificar todos os parlamentares mineiros que teriam sido beneficiados no esquema de corrupção.

De acordo com nota enviada pela assessoria de imprensa do vice-governador, durante o depoimento à Polícia Federal, Antônio Andrade respondeu tudo o que lhe foi perguntado e colaborou com o trabalho corporação.

 

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