Com início previsto para a próxima segunda-feira (25), a flexibilização gradual da quarentena no comércio “não essencial” de Belo Horizonte, fechado há dois meses e um dia como medida de enfrentamento à pandemia da Covid-19, vai depender, entre outros fatores, do sucesso ou não da reabertura de centenas de lojas do Mercado Central.

Os estabelecimentos voltaram a funcionar ontem com a anuência da prefeitura, sob uma série de regras de segurança que poderão ser estendidas ao restante da cidade. Para a Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio), a experiência no Mercado é fundamental para definir a retomada do setor, que representa 88,37% dos negócios na capital e emprega 61,2% da mão de obra formal do município – sendo 170 mil postos só no comércio (14,4%).

“A iniciativa da PBH em um dos mais importantes centros comerciais da cidade poderá fornecer aos órgãos públicos elementos que deem mais segurança e demonstrem uma nova forma de o comércio trabalhar, desde que seguindo todas as normas de saúde e segurança determinadas pelos órgãos competentes”, informou a entidade, por nota, ao Hoje em Dia.

Reabertura
De acordo com o superintendente de compras do Mercado Central, Luiz Carlos Braga, cerca de 320 dos 400 estabelecimentos puderam abrir ontem. Antes, somente 110 pontos de venda de itens considerados essenciais, como alimentos, funcionavam.

Foram incluídas agora lojas de panela, de pano de prato e artesanato. Apenas salões de beleza, bares e restaurantes permanecerão fechados por não se enquadrarem nas diretrizes da PBH. 

“A prefeitura autorizou o Mercado a funcionar como se fosse um grande supermercado, com as mesmas restrições e cuidados para não ter aglomerações”, disse Braga. No momento, a entrada é restrita a 370 clientes simultâneos, munidos de cartões magnéticos. Para facilitar o monitoramento, apenas quatro das nove portarias do Mercado estão abertas. O uso de máscara e de álcool em gel é exigido dos visitantes na chegada. A Guarda Municipal também ajuda no controle do fluxo. “Dando certo, há uma expectativa muito boa para a reabertura do comércio em BH no dia 25”, destacou Braga. 

Desconfiança
Mesmo que o “teste de segurança” no Mercado dê certo, e que os índices de isolamento social na cidade voltem a subir , há quem aposte em adiamento da medida. “Garanto que o prefeito vai empurrar a data. Se ele começar a abrir, perde o poder de criar terrorismo na população”, disse, ontem, o vereador Fernando Borja (Avante), integrante da Comissão Especial de Estudo criada pela Câmara de BH para acompanhar o assunto.