A Volkswagen tem feito encontros online como parte da estratégia de lançamento do SUV Nivus, que chega até o fim de junho. E agora aproveitou para apresentar o VW Play, sistema de infotainment desenvolvido no Brasil e que faz do carro uma espécie de iPad. Isso porque assim como a tabuleta mágica da Apple, o sistema permite um monte funções como assistir a vídeos e até mesmo ler revistas, numa tela de 10 polegadas em vidro temperado. 

No entanto, peca pela ausência de internet banda larga própria, como as versões de entrada do iPad. É preciso conectar a uma rede Wi-Fi ou parear com o telefone de um dos ocupantes. No tablet de Apple a ausência é inaceitável pelo preço absurdo do aparelho. No caso do VW Play é um falha por questões práticas.

Off-line
Bom, internet integrada já deixou de ser problema na indústria do automóvel. A BMW oferece esse tipo de recurso há bastante tempo e por ele é possível ter informações de tráfego, clima e noticiário em tempo real. E desde o ano passado a General Motors passou a integrar banda larga 4G em modelos como Cruze, Onix, Onix Plus e agora no novato Tracker. O grande senão é que o consumidor precisa pagar uma conta de celular para o seu carro.

A resposta da VW para isso é que hoje os pacotes de dados dos telefones são muito fartos e não há porque o consumidor pagar uma segunda conta só para utilizar as funcionalidades online do VW Play. De fato, o sistema não demanda um grande volume de dados, ainda mais que geralmente o motorista conecta seu telefone para receber chamadas. 

Mesmo assim, é um recurso que deveria estar disponível, inclusive para adicionar um sistema de emergência como o OnStar da própria VW ou o serviço de chamada de emergência da Ford. Além disso, há funções como socorro do seguro. Imagine num capotamento, o telefone desaparece e com conexão permanente seria permitido acionar o socorro, por exemplo.

Mas vamos ao recursos do VW Play. Segundo a Volks a tecnologia foi totalmente desenvolvida pelo time brasileiro de engenharia. Foram 50 profissionais e um trabalho de três anos. Apesar de estrear no Nivus, o VW Play será oferecido em futuros modelos da marca e provavelmente nas linhas 2021 de Polo, Virtus e T-Cross. 

O que a marca não deixa claro é se todas as versões do jipinho cupê serão equipadas com o sistema. Mas o presidente da VW brasileira, Pablo de Si, deixa claro que o Nivus não terá um portfólio extenso. Será um carro com poucas versões.

Tela
O VW Play conta com uma tela de 10 polegadas e armazenamento de 10 GB para download de aplicativos e músicas. O sistema ainda dispõe de processador gráfico integrado e 2 GB de RAM para processar todas as tarefas. Segundo a VW, o sistema conta com aplicativos que dispensam espelhamento de celular, como iFood, Estapar (estacionamento), Waze, além do serviço de streaming, Waze e aplicativos de revistas e livros de áudio.

Todos os aplicativos são baixados no VW Play Apps, que funciona como App Store, da Apple, ou Google Play. De acordo com os executivos da VW tanto o sistema, assim como a loja terão suporte e atualização durante toda vida do automóvel. Ou seja, ela garante que daqui 10 anos será possível localizar o servidor e baixar os aplicativos.

Conectividade
O sistema permite que o motorista ajuste parâmetros de navegação e até mesmo altere o layout do quadro de instrumentos digital. É possível acessar o computador de bordo, manual do proprietário e até mesmo verificar condições de garantia do veículo. 

O VW Play permite conectar telefones via Bluetooth e também nos padrões Android Auto e Apple Carplay. A vantagem é que donos de iPhone não precisam mais de usar cabos para conectar. Trata-se de um recurso também presente na nova Fiat Strada, que dispensa cabos tanto para telefones iOS como para aqueles que usam sistema Google.

O VW Play surge como uma ferramenta que deverá se padrão nos próximos modelos da marca. Não chega a ser revolucionário, como os módulos de marcas premium em que se ajusta carga dos amortecedores e sistema de tração com a ponta dos dedos. Mas apresenta soluções interessantes. 

Apple CarPlay sem fio e aplicativos que podem ser baixados e acionados sem a necessidade de um telefone conectado, são recursos que beiram a ficção científica na maioria dos concorrentes. Mas ainda sim, falta um slot para espetar um chip 4G, como no iPad, em suas inexplicáveis versões de entrada, que precisa filar o Wi-Fi do vizinho.