A revolução que os utilitários-esportivos (SUVs) promoveram na indústria do automóvel tem sido notada a olhos nus. Marcas como a Ford já anunciaram que não irão investir em novos sedãs, pelo menos nos Estados Unidos, e há uma profusão de novas carrocerias para os utilitários, que vão desde formas de grandes hatches, passando por cupês, e mesmo conversíveis. Nessa toada, até mesmo as picapes incorporaram elementos dos jipinhos modernos.

A picape conceitual Volkswagen Tarok é a prova dessa tendência. A prévia da futura picape intermediária foi uma das principais atrações do Salão do Automóvel de São Paulo. Construída sobre a plataforma modular MQB, ela recorre às especificações semelhantes às utilizadas no SUV Tiguan AllSpace. 

Tanto a Tarok como a Toro seguem um caminho inaugurado pela Renault Duster Oroch, que recorreu à estrutura do jipinho Duster para oferecer uma picape com comodidade semelhante à de um carro de passeio. A falha da francesa foi ter capacidade de carga limitada a 650 quilos, o que a torna incapaz de atender quem precisa de um veículo para transportar, além passageiros, muito peso na caçamba. 

Caminho inverso
Segundo Ricardo Dilser, assessor técnico da FCA, trata-se de uma tendência que deverá ser incorporada por toda a indústria. “As picapes tradicionais com cabine sobre chassi continuarão no mercado, mas nos modelos de maior porte. A tendência é a de que as médias sigam o caminho da Toro, que recorre a estruturas dos SUVs modernos, que oferecem melhor dirigibilidade e conforto, assim com capacidade de carga de uma tonelada. Nisso, a Toro (que deriva da estrutura do Jeep Renegade) foi pioneira”, observa o executivo.

Ou seja, trata-se de um caminho inverso daquele que ocorreu nos anos 1960, quando os utilitários-esportivos como o Ford Bronco surgiram a partir dos chassis de picapes e que até hoje perduram em modelos como Toyota SW4 e Chevrolet Trailblazer.

Industrialmente, há uma economia de produção absurda, uma vez que essas picapes compartilham linhas com demais automóveis, o que não é possível com as picapes tradicionais, que demandam linha de montagem exclusiva, quiçá uma fábrica.

Cartilha
Quem foi ao Salão do Automóvel e teve a curiosidade de ver de pertinho a Tarok reparou que ela tem muito da Toro. As dimensões são muito parecidas com a italiana, com comprimento beirando os 5 metros e entre-eixos próximo dos 3 metros, num estudo de olhômetro.

A Tiguan Allspace, de quem a Tarok deriva, mede 4,70 metros e 2,80 metros de entre-eixos. Já a Toro tem medidas na ordem de 4,95 metros e 2,99 metros. A VW quase não dá informações sobre picape e tem retido ao máximo os dados técnicos. O que é certo é que ela terá tração 4x4 e capacidade de carga de uma tonelada. 

Executivos da marca também não escondem que ela terá motor diesel. “O projeto contempla esse tipo de motor, mas ainda é cedo para cravarmos. Na fase em que estamos, muita coisa pode mudar até o lançamento”, comentou um executivo da VW.

O que se especula é que a unidade 1.4 turbo de 150 cv e 25 mkgf de torque estará presente na versão de entrada da picape. O possível motor diesel seria a versão 2.0 turbo de 140 cv que equipa a versão de entrada da Amarok, ou até mesmo a biturbo de 180 cv.

Quase igual
O carro conceito exibido no estande da marca é muito próximo da versão de produção. Basta remover excessos estéticos, como os filetes de LED na parte dianteira, simplificar as lanternas e tirar as molduras na terceira coluna. 

Por dentro, também está bem próximo do produto final, com painel que segue a linha do T-Cross, com direito a quadro de instrumentos digital e uma central multimídia.

Extensão 
Um dos destaques do utilitário é uma escotilha que funciona como o rebatimento dos bancos traseiros de um sedã para acessar o bagageiro. 

No caso da Tarok, a abertura permite acomodar peças de grandes volumes para dentro do habitáculo. Resta saber se a ideia vai vingar.

Preços prováveis
Especulações sobre quando a Tarok chega, quanto custará e o local de fabricação serão frequentes daqui em diante. Na banca de apostas, o lançamento estimado será em 2020. Mas o vice-presidente de vendas, Gustavo Schmidt, num breve encontro no estande, nega a data. “É mais pra frente”, disse o executivo, acelerando o passo. 

O endereço da fábrica também segue incerto. Ela pode vir do México, da Argentina ou de São José do Pinhais (PR). A possibilidade de ser feita no Paraná é grande, já que a planta está adequada para a plataforma e ajudaria a baratear os componentes importados do T-Cross. 

Já os preços são mais fáceis de se prever. Se fosse lançada hoje, iriam de R$ 95 mil a R$ 155 mil. Assim, ocuparia uma lacuna entre Saveiro e Amarok e também se posicionaria próximo da Toro, o que varia de R$ 93 mil a R$ 152 mil.