O vereador Wellington Magalhães (DC), alvo de dois pedidos de cassação na Câmara Municipal, surpreendeu os vereadores nesta terça-feira (13), solicitando que os colegas votem a favor da abertura da Comissão Processante para analisar a perda de seu mandato. Os parlamentares decidem, nesta quarta-feira (14), se aceitam ou não investigar o vereador do DC. Em entrevista ao Hoje em Dia, Magalhães negou "qualquer chance de renunciar ao mandato" e se desculpou pelos áudios vazados nesta semana, mas negou ter feito "ameaças reais" ao promotor Leonardo Barbabela e ao vereador Mateus Simões (Novo). 

Na sessão plenária desta terça-feira (13), Magalhães foi o primeiro a chegar à Câmara Municipal, quase uma hora antes do início dos trabalhos legislativos, às 15h. Ele conversou com vários colegas, antes de usar o microfone em Plenário e pedir para que os vereadores "votem sim" pela abertura da Comissão Processante para investigá-lo.

"Estou muito tranquilo, acho que tem que ter investigação mesmo. Tem que ter. Por isso, peço aos meus colegas que votem sim amanhã pela transparência", disse Magalhães.

Nesta semana, as denúncias contra o vereador do DC ganharam novo peso, após a divulgação de áudios nos quais Magalhães parece fazer ameaças de morte ao vereador Mateus Simões (Novo) e ao promotor Leonardo Barbabela, responsável por denunciar Magalhães por suposto desvio de R$ 30 milhões da Câmara. Na denúncia do Ministério Público, o vereador do DC teria recebido propina de R$ 1,8 milhão para superfaturar contratos de publicidade enquanto era presidente do legislativo municipal.

Em um trecho do áudio, Magalhães diz: “O trouxa, babaca do Barbabela, que qualquer dia... Até a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) está rindo dele. Na sexta, ele entrou (com o pedido de cassação)... Então, o que ele está fazendo é uma força, ele sabe que, que... Que o Mateus... Foi tudo orquestrado. Pensar que agora, ele me chamar do que me chamou ali, por isso que um cara chega e morre aí por causa disso”. 

Questionado sobre os áudios, Magalhães disse que foi uma "questão de desabafo" e negou ter feito ameaças às autoridades. Ele também disse ter pedido desculpas ao promotor Barbabela. "Foi uma questão de desabafo, nunca ameacei ninguém e nunca vou ameaçar. Até pedi ao promotor (Leonardo Barbabela), que está no papel dele investigar, pedi perdão por essa fala. Agora, eu e Mateus (Simões) simplesmente é uma briga política. Ele vem aqui todo dia usar o microfone e falar que eu sou bandido. Sendo que eu nunca fui condenado. São coisas que machucam, sendo que você tem filho e família", disse Magalhães.

Votação

A leitura dos pedidos de cassação contra Wellington Magalhães foram aceitas pela Procuradoria da Câmara Municipal nesta segunda-feira (12). Na quarta-feira (14), a presidente da Casa, a vereadora Nely Aquino (PRTB), fará a leitura dos pedidos, sendo um deles protocolado por Mateus Simões (Novo) e o outro pelo advogado Mariel Marra.

Entre os vereadores, há consenso de que existem mais do que os 21 votos necessários para abertura de uma Comissão Processante. Alguns parlamentares, porém, chegaram a cogitar que Magalhães poderia renunciar para evitar a cassação, mas o vereador negou a possibilidade."Nunca passou isso pela minha cabeça. Fui eleito pelo povo por mais de 13 mil votos e vou continuar", disse o parlamentar do DC.

Caso a Câmara aceite a abertura da Comissão Processante, os três membros responsáveis pela investigação, incluindo o presidente e o relator, são escolhidos por sorteio, em Plenário. Ainda que a Casa tenha maioria para iniciar as investigações, parlamentares temem a exposição pública de integrar o colegiado que emitirá parecer sobre o caso. 

Denúncias

Wellington Magalhães é investigado desde 2016, na Operação Sordidum Publicae (Política Suja), da Polícia Civil, acusado de desviar R$ 30 milhões do legislativo municipal em contratos de publicidade. O vereador chegou a ficar preso por um mês na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Desde que deixou a prisão por força de uma liminar, em maio do ano passado, ele é obrigado a usar uma tornozeleira eletrônica.

Afastado por um ano dos trabalhos legislativos por decisão da Justiça, o vereador retornou à Câmara em julho deste ano. Magalhães ficou apenas um mês sem receber o salário de R$ 17.642,33 brutos (aproximadamente R$ 10 mil líquidos). Nesse período, Magalhães acumulou mais de R$ 200 mil em salários, mesmo sem trabalhar.

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