Sem espaço que honrasse seu currículo na Globo já há alguns anos, Xuxa enfim é novamente celebrada como a maior estrela da casa - em outra casa. A possível mudança de canal a coloca de volta no trono perdido, nem que seja apenas até sua estreia na Record. Depois que estiver em cena testando sua habilidade no papel de Ellen DeGeneres - como pretende a direção da Record -, pode até ser que a aposta se mostre um grande sucesso, mas, por melhor que seja sua performance, é pouco provável que a loira estampe capas de jornais, revistas e sites na condição de líder de audiência de novo. Na média geral do Ibope, a Record ainda briga mais com o SBT do que com a Globo, embora conquiste esporádicos momentos de liderança.

Convém considerar ainda que nem na Globo Xuxa tinha o 1º lugar garantido. Seu programa nas tardes de sábado muitas vezes perdia para o Pica-pau, animação reprisada à exaustão pela Record. Sem forças para combater a pérfida ave, Xuxa junta-se a ela. Ciosa do título de "Rainha dos Baixinhos" que foi um dia, a loira fez várias tentativas de transferir sua empatia para a plateia adulta, em vão. O sucesso dos anos 80 entre o público infantil também seria fenômeno impensável para os dias atuais, ocupados por uma geração interessada em jogos interativos e canais segmentados para o seu gosto.

Desde que admitiu pela primeira vez a proposta à loira, em dezembro passado, a direção da Record conta com o entusiasmo da apresentadora em "fazer algo que ela nunca fez antes". Não é bem assim. Entrevistas eram o carro-chefe de seu último programa na Globo, com direito a sofá ao modo Hebe e a busca de intimidade com o entrevistado - vide as reprises do Planeta Xuxa no canal Viva. A seu favor na arte de transformar profissionais, a Record tem o caso de Rodrigo Faro, seu maior sucesso comercial, que na Globo era só mais um ator. Mas Xuxa tem um passado de glórias, e a acomodação na geladeira da Globo, agora, não seria saída honrosa. Melhor ser estrela de novo. Nem que seja em outra freguesia.