O governador Romeu Zema (Novo) disse ontem que a Polícia Civil do Estado tinha “interferências externas” em administrações anteriores, com troca de delegados a pedido de prefeitos e deputados.

A declaração foi feita em um seminário sobre o relançamento do programa de Integração de Gestão em Segurança Pública (Igesp). O encontro, na capital, teve a presença do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro.

“A segurança se fortalece quando tem autonomia e independência, coisa que nós nem sempre assistimos aqui em Minas Gerais, principalmente na Polícia Civil, que sempre foi muito submetida a interferências externas”, disse.

O governador explicava a necessidade de in-tegração das polícias como forma de reforçar o combate às trocas de comando por pressões políticas. “É necessário que se tenha mais autonomia e independência. Caso contrário, ela (Polícia) vai passar a servir aos interesses ou à pressão de alguém”, disse.

Zema não citou nominalmente ex-mandatários do Estado. Desde 2000, Minas foi governada por políticos de MDB (Itamar Franco), PSDB (Aécio Neves e Antônio Anastasia), PP (Alberto Pinto Coelho) e PT (Fernando Pimentel). Nenhum deles ou os partidos comentou a declaração.

Ainda durante a fala no seminário, o governador disse que o Brasil esteve sem liderança entre os anos de 2002 e 2008, período que engloba parte dos mandatos do ex-presidente Lula (PT). “Agora, sabemos que não temos nenhum Deus à frente do Brasil e de Minas, mas pessoas que querem fazer o bem, bem-intencionadas, e isso tem um reflexo muito grande no psicológico”, comentou.

As opiniões de Zema foram dadas no relançamento de programas usados em administrações tanto do PT quanto do PSDB. O Igesp, metodologia de integração de forças de segurança, como polícia e Ministério Público, foi lançado em Minas pela primeira vez no governo Aécio Neves, em 2005, e recolocado em prática no governo Pimentel, em 2015.

Foi por meio do Igesp, por exemplo, que o Estado criou estruturas que hoje fazem parte do dia a dia das polícias, como a Região Integrada de Segurança Pública (Risp) e a Área Integrada de Segurança Pública (Aisp). A estratégia é usada em outros países. Em Nova York (EUA), há um sistema de gerenciamento que envolve interlocução policial semelhante ao usado no mapeamento de zonas quentes de criminalidade em BH.

O ministro Sérgio Moro enalteceu o trabalho de segurança pública em Minas e na esfera federal. “Há uma certa percepção de que talvez a criminalidade organizada esteja entendendo que as regras do jogo mudaram, não só o governo federal, mas os governos estaduais vão ter uma atuação mais rigorosa”, afirmou.

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