O governador de Minas, Romeu Zema, que já chega a sua segunda semana de mandato, deu uma entrevista à Record Minas, exibida nesta quarta-feira (9), e falou sobre a renegociação da dívida do Estado com o governo federal, sobre as privatizações, os cortes que pretende fazer e a falta de previsão em relação à regularização da folha de pagamento dos servidores.

Ele propôs um pacto entre os poderes e falou sobre os ajustes que já começou a fazer, como no caso das exonerações, e sobre os que ainda pretende executar. "Para poder reduzir os custos da máquina, nós precisamos é de uma redução drástica que nunca houve no Estado, principalmente em relação ao pessoal e à aposentadoria", disse.

Isso será feito por meio de propostas enviadas à Assembleia Legislativa de Minas Gerais, sendo que muitas delas "serão imposições ao Tesouro Nacional para mandar recursos essenciais para que o Estado tenha vitalidade nos próximos meses". Ainda de acordo com o governador, para isso, ele espera "muita sensibilidade" dos deputados estaduais para aprovar as suas proposições.

Sobre as privatizações, Zema disse que elas são a condição para que haja esta abertura do governo federal para Minas. "O Tesouro Nacional, dentro da renegociação da dívida do Estado, exige que as empresas sejam privatizadas".

Diante disso, como ele já havia sinalizado ainda durante sua campanha, empresas estatais, como a Cemig, devem ser privatizadas em seu governo.

"Eu quero ser o governador de Minas que mais vai perder poder durante o seu mandato. Quero entregar um governo muito mais enxuto, e estas empresas (estatais) esqueceram que nasceram para atender os clientes e estão sendo usadas por apadrinhados, para finalidades políticas".

Durante a entrevista ele também citou que "cortar, na prática, singnifica que vamos reduzir a estrutura até o limite, principalmente no Executivo", e como exemplo lembrou que em vez de morar no Palácio do Governo, onde eram empregadas 37 pessoas, ele irá morar em sua casa, reduzindo o número de funcionários para zero.

Situação dos servidores

A situação dos servidores estaduais segue indefinida e não há nem mesmo previsão de quando as remunerações devem ser normalizadas, inclusive, o pagamento do 13° salário.

"A situação que enfrentamos é o problema do cobertor curto e isso vai perdurar até que a situação finaceira do Estado esteja sanada. E (o pagamento do 13° aos servidores) só vai ser feito dentro de alguns meses após a conclusão de um acordo com o Tesouro Nacional. Eu não posso prometer nada diferente nos próximos meses", disse.

Com o déficit do Estado estimado em R$ 30 bilhões pela atual gestão, este seria o valor que, segundo Zema, seria necessário para regularizar a situação financeira de Minas em 2019. "Pagar o que ficou atrasado e tapar o rombo deste ano", concluiu.

Preço da gasolina não deve baixar 

Com uma das gasolinas mais caras do país, Minas também está no topo do ranking das maiores tributações, perdendo apenas para o Rio. O que encarece o valor do combustível é justamente o acúmulo de impostos que ele sofre quando sai da refinaria. E no Estado, o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) consome R$ 1,579 do valor do litro da gasolina, segundo dados da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), cerca de 20%.

Embora já tenha falado sobre a redução de impostos em Minas, o ICMS, segundo Zema, não deve baixar tão cedo. "Realmente queremos reduzir impostos, mas isso é inviável neste momento que o Estado está quebrado. Mas assim que as contas forem sanadas, nossa proposta é que elas vão reduzir", conta.

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