De olho nos olhos

Cansaço no fim do dia nem sempre é excesso de trabalho, mas sinal de fadiga ocular

Computadores, celulares e outros dispositivos exigem foco constante a curta distância, reduzindo a frequência do piscar e aumentando o esforço da musculatura ocular

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 06/04/2026 às 07:00.
 (Freepik)
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Quem trabalha longos períodos à frente do computador reconhece os sintomas: com o avanço da jornada, é comum perceber a atenção diminuindo, a leitura mais lenta e um desconforto que se instala de forma progressiva. Para muitos adultos, essa queda de rendimento é atribuída automaticamente ao excesso de tarefas ou ao estresse. Mas há um outro fator de peso, a sobrecarga do sistema visual.

Computadores, celulares e outros dispositivos exigem foco constante a curta distância, reduzindo a frequência do piscar e aumentando o esforço da musculatura ocular. Com o passar das horas, esse cenário pode comprometer não apenas o conforto, mas também a qualidade das entregas no trabalho. O cansaço da visão leva a perda de foco, erros simples e uma sensação de exaustão que, se negligenciada, passa a integrar a rotina.

O oftalmologista Paulo de Tarso, especialista em Retina e Vítreo do Instituto de Olhos de Belo Horizonte (IOBH), reforça que o impacto é direto e muitas vezes subestimado. “A visão é uma das principais ferramentas de trabalho. Quando não está funcionando de forma confortável, o cérebro precisa se esforçar mais para interpretar as imagens, o que leva à perda de desempenho ao longo do dia”, explica.

Os sinais costumam surgir de maneira gradual, o que dificulta a identificação do problema. 

Sintomas mais comuns

Dor de cabeça frequente, sensação de peso ao redor dos olhos, visão instável e dificuldade para alternar o foco entre diferentes distâncias estão entre as queixas mais comuns. “Nem sempre os adultos percebem que esses sintomas têm relacionados ao uso intenso da visão. Muitas vezes, ele só nota que está mais cansado e menos produtivo”, afirma o especialista.

Outro ponto relevante está nas condições do ambiente profissional. Espaços com iluminação inadequada, reflexos na tela e mobiliário pouco ajustado contribuem para o aumento da exigência visual

Além disso, a postura adotada ao longo do dia influencia diretamente esse quadro, garante o oftalmologista. “Quando o posicionamento não é adequado, há um esforço adicional não só dos olhos, mas de toda a musculatura envolvida. Isso potencializa o desconforto e pode acelerar o aparecimento dos sintomas”, destaca o médico.

Ausência de pausas

Permanecer horas seguidas em uma mesma atividade visual também intensifica a sobrecarga e reduz a capacidade de recuperação dos olhos. “O sistema visual não foi projetado para manter foco contínuo por tanto tempo sem intervalos. Respeitar esses momentos de descanso é essencial para preservar o rendimento”, orienta.

O acompanhamento oftalmológico também desempenha papel fundamental nesse contexto. Alterações como grau desatualizado, podem intensificar o esforço necessário para enxergar com clareza.

“Muitas vezes, a pessoa já precisa de correção e não sabe. Isso faz com que os olhos trabalhem mais do que deveriam, agravando o cansaço e impactando diretamente a produtividade”, explica o especialista.

Ignorar os sinais pode levar à repetição do desconforto e à naturalização de um problema que tem solução. “Cuidar da saúde dos olhos é também cuidar da qualidade do trabalho. Quando há equilíbrio, o resultado aparece tanto no conforto quanto na performance”, conclui o médico. 

Medidas simples no dia a dia podem ajudar a minimizar esses impactos

  • Ajustar o brilho das telas
  • Manter uma distância adequada dos dispositivos
  • Organizar o espaço de trabalho 
  • Inserir pequenas pausas ao longo da jornada
  • Acompanhamento oftalmológico

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