Saúde no sufoco

Hospitais 100% SUS cobram cronograma de repasse da PBH e alertam para risco de suspensão de serviços

Unidades relatam atraso na folha salarial, restrição de internações e risco à assistência; Sofia Feldman pode não pagar salários a partir de fevereiro

Ana Luísa Ribeiro
aribeiro@hojeemdia.com.br
Publicado em 20/01/2026 às 19:11.Atualizado em 20/01/2026 às 20:30.
Hospitais filantrópicos 100% SUS de Belo Horizonte alertam para dificuldades financeiras e risco à continuidade dos atendimentos diante de atrasos nos repasses municipais; caso do Hospital Sofia Feldman é considerado o mais crítico (FLAVIO TAVARES – Arquivo hoje em dia)
Hospitais filantrópicos 100% SUS de Belo Horizonte alertam para dificuldades financeiras e risco à continuidade dos atendimentos diante de atrasos nos repasses municipais; caso do Hospital Sofia Feldman é considerado o mais crítico (FLAVIO TAVARES – Arquivo hoje em dia)

Hospitais 100% SUS de Belo Horizonte voltaram a alertar para o agravamento da crise financeira provocada após irregularidades nos repasses da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). Nesta terça-feira (20), as instituições filantrópicas cobraram a apresentação "imediata" de um cronograma detalhado, com datas e valores discriminados por hospital, e afirmam que, sem a formalização desse planejamento, há risco concreto de interrupção de serviços e de não pagamento da folha salarial. 

O novo alerta ocorre duas semanas após os primeiros comunicados públicos das unidades, que relataram dificuldades para manter salários, fornecedores e a compra de insumos básicos. Apesar de a PBH ter informado anteriormente que organizou uma programação para regularizar os repasses, os hospitais afirmam que nada foi apresentado por escrito, o que mantém o cenário de instabilidade. 

Em reunião com o Ministério do Trabalho, ficou acordado que a PBH apresentaria o documento até 26 de janeiro, próxima segunda-feira. 

Salários em atraso e restrição de internações

De acordo com as instituições, parte dos hospitais já não consegue cumprir o pagamento da folha dentro do prazo legal, caso dos hospitais Sofia Feldman e São Francisco. Outras unidades seguem funcionando por meio de empréstimos bancários e endividamento emergencial, situação classificada como "financeiramente insustentável". 

No São Francisco, o atraso de repasses resultou na restrição temporária de novas internações reguladas pela Central de Internação do Município. A medida foi adotada, segundo o hospital, para preservar a segurança dos pacientes já internados e a continuidade mínima da assistência. 

Sofia Feldman pode não pagar folha em fevereiro 

A situação é considerada ainda mais grave no Hospital Sofia Feldman, maior maternidade de Minas, responsável por cerca de 40% dos partos SUS realizados em Belo Horizonte. A unidade enfrenta endividamento recorrente e já esgotou a capacidade de contratar novos empréstimos.

Segundo informado, caso os valores devidos não sejam liberados até 5 de fevereiro, o hospital não conseguirá pagar a folha salarial nem cumprir obrigações essenciais, como a compra de medicamentos, materiais médico-hospitalares e outros insumos indispensáveis à manutenção do atendimento.

O impacto vai além da capital. O Sofia Feldman é referência para 66 municípios e realiza, em média, 710 partos mensais.

Santa Casa e Risoleta também relatam situação crítica

Também foi detalhada a situação da Santa Casa BH, que acumula passivo de R$ 35 milhões com fornecedores e prestadores de serviços, dos quais R$ 24,8 milhões correspondem - segundo a unidade - a valores não repassados pela PBH. Para evitar a interrupção da assistência, a instituição informou estar contratando novo empréstimo de R$ 15 milhões.

Já o Hospital Risoleta Tolentino Neves, referência para mais de 1,5 milhão de pessoas na região Norte da capital, afirmou ter recorrido à reserva de contingência para garantir o pagamento da folha de janeiro. Segundo a nota, a manutenção dos serviços depende diretamente da regularização dos repasses.

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que o acordo firmado com os representantes dos hospitais segue mantido e está sendo cumprido. Segundo a administração municipal, somente na última semana foram repassados R$ 53,4 milhões às instituições filantrópicas, e o restante dos valores em aberto será transferido ao longo dos meses de janeiro e fevereiro.

A PBH afirmou ainda que mantém o compromisso com a gestão responsável dos recursos públicos destinados ao SUS e com a garantia da assistência à população.  

Leia mais: 

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por