Vírus letal da China já deixa Minas em alerta; Carnaval aumenta o risco de contágio

Renata Evangelista
rsouza@hojeemdia.com.br
22/01/2020 às 07:35.
Atualizado em 27/10/2021 às 02:22
 (Rovena Rosa/Agência Brasil )

(Rovena Rosa/Agência Brasil )

Transmitido pelo ar ou simples aperto de mão, o misterioso vírus que provocou mortes na China e doentes em outros países já colocou Minas em alerta. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) emitiu comunicado para que todas as unidades regionais reforcem a vigilância em torno do coronavírus, que pode causar uma espécie de pneumonia atípica.

Autoridades garantem que ainda não há circulação por aqui. Porém, para especialistas, a chance de disseminação é extremamente alta. O temor é que a enfermidade chegue ao Estado durante o Carnaval, quando milhares de foliões, inclusive do exterior, vêm curtir a festa momesca em BH e cidades históricas. 

Exemplos de surtos e epidemias mundo afora atestam o risco das doenças respiratórias. Casos da H1N1 (na América do Norte), aviária (Ásia) e sarampo (Europa). “A gripe suína surgiu em fevereiro de 2009, no México. Em junho do mesmo ano, já estava em praticamente todo o planeta”, lembra o ex-presidente da Sociedade Mineira de Infectologia (SMI), Carlos Starling.

A grande preocupação, reforça o médico, é o contágio rápido e fácil em meio à população que circula por vários locais. “Hoje, qualquer doença pode ser propagada. E, como o coronavírus pode ser transmitido de pessoa a pessoa, por via respiratória, oferece um risco ainda maior”, alerta Starling.

“A gripe suína surgiu em fevereiro de 2009, no México. Em junho do mesmo ano, já estava em praticamente todo o planeta”Carlos Starling - Ex-presidente da Sociedade Mineira de Infectologia 

O infectologista ressalta que ainda faltam conclusões clínicas sobre o coronavírus, já que os estudos são prematuros. “Mas sabemos que não há vacina. Então, tem que tomar cuidado pois não há um tratamento específico”, acrescenta.

Vigilância

O Ministério da Saúde informou que faz monitoramento diário da situação junto à Organização Mundial de Saúde (OMS). “As informações disponíveis até o momento são limitadas para determinar risco geral de surto relacionado à doença”, informou a pasta.

Na tentativa de evitar que o vírus se espalhe no Brasil, o governo federal adotou ações como o reforço da fiscalização em portos, aeroportos e fronteiras, além de notificar as secretarias de Saúde dos Estados. A OMS não recomendou nenhuma restrição em viagens ou no comércio internacional.

Notificações

Ontem, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, confirmou a primeira infecção por coronavírus no país. Até o momento, são seis mortes e 300 doentes na China. A doença também foi detectada na Coreia do Sul, Japão e Tailândia.

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