
PEQUIM (CHINA) - Quem ri por último, ri melhor! A velha máxima se comprova a cada dia, pelo menos na indústria do automóvel. Isso porque, se há menos de 20 anos olhávamos com desdém para os carros chineses, hoje são eles que dão largas risadas diante da indústria ocidental.
E o Salão do Automóvel de Pequim é a prova disso. A mostra, que até pouco tempo ainda era vista como uma feira doméstica, hoje se tornou o oráculo da indústria global. O que está na China é o que será dirigido no resto do mundo, ou pelo menos na maior parte dele.
Para o Brasil, o Salão de Pequim não é diferente. Ainda mais que muitas marcas chinesas já estão instaladas no país, como Chery, BYD, Changan, GAC, GWM, Leapmotor, Geely, Jetour, Omoda & Jaecoo e mais outras tantas. Assim, o que eles revelam na China, logo estreará no Brasil.
Para se ter uma ideia, a GWM reservou sua coletiva para fazer diversos anúncios globais, entre eles o do primeiro carro híbrido plug-in flex do mundo. Trata-se do SUV Tank 300, que será lançado no Brasil nos próximos dias. O conjunto foi desenvolvido no Brasil, em parceria com a Bosch. O chairman da GWM, Jack Wey, afirma que mesmo sendo uma solução para o mercado brasileiro, é um feito tão notável que deveria ser anunciado mundialmente.
A marca ainda irá trazer para cada o SUV Ora 5, uma versão mais robusta do hatch Ora 03 (isso mesmo, um tem algarismo “0” e o outro não). O modelo chega para competir numa faixa que hoje é liderada por BYD Yuan, que praticamente concorre sozinho.
Mas não é só o Ora 5 que quer uma fatia do Yuan. A Leapmotor também está de olho nesse filão e pode levar para o Brasil, em breve, o A10 (como já noticiamos para o leitor do HD AUTO).
A marca da Stellantis também levou para a mostra o Lafa 5 Ultra, um hatch médio elétrico que é o carro mais elegante da marca. No entanto, ele será vendido na Europa, e já tem preço: 26.500 euros, algo em torno dos R$ 156 mil.
Claro que, diferente da GWM, as demais marcas não declaram abertamente suas estratégias para o Brasil. Mas é possível fazer leituras daquilo que pode ou não vir para cá. A Changan, que há pouco tempo se associou à Caoa, levou dois modelos que poderiam fazer sucesso por aqui, os SUV CS75 e CS55. Ambos são híbridos e poderiam concorrer nos segmentos de médios e médios grandes, onde já figuram eletrificados como GAC Aion V, GWM Haval H6, Leap B10 e C10, assim como Geely EX5.
E também não faltaram novidades que ainda são ficção no Brasil. A Geely, que é associada à Renault, apresentou o Robotaxi. Trata-se de uma espécie de minivan com ADAS nível 4, que é capaz de conduzir passageiros sem a necessidade de um motorista. E também não faltaram os veículos voadores. Mais uma vez todos devidamente estacionados, mas cada vez mais perto da homologação para uso civil, pelo menos na China.
Em Pequim, não é só o fuso que está à frente, mas tecnologia e capital para reinventar a indústria da noite para o dia.