
Lançado em 1991, o Bugatti EB110 marcou o retorno de um dos nomes mais emblemáticos da história do automóvel após mais de quatro décadas de inatividade. A marca Bugatti havia deixado de produzir carros após a morte do fundador, Ettore Bugatti, em 1947, e só voltou ao cenário internacional no início dos anos 1990, em um contexto dominado por superesportivos italianos e alemães. O EB110 surgiu como símbolo dessa tentativa de renascimento, apostando em engenharia extrema e desempenho absoluto.
O projeto foi idealizado pelo empresário italiano Romano Artioli, que adquiriu os direitos da marca e estabeleceu a Bugatti Automobili Spa, em Campogalliano, na Itália. A proposta era ambiciosa: criar o carro de produção mais avançado do mundo. O nome EB110 fazia referência aos 110 anos do nascimento de Ettore Bugatti, comemorados no ano do lançamento do modelo.
Do ponto de vista técnico, o EB110 destacou-se imediatamente. O modelo utilizava um motor V12 de 3,5 litros equipado com quatro turbocompressores, solução inédita em um automóvel de produção. Na versão GT, o conjunto entregava cerca de 560 cv, enquanto a variante Super Sport superava os 600 cv. A força era transmitida às quatro rodas por meio de um sistema de tração integral permanente, associado a um câmbio manual de seis marchas.
Outro diferencial relevante era o chassi monocoque de fibra de carbono, desenvolvido em parceria com a empresa aeronáutica Aérospatiale. Na época, o uso desse material ainda era raro fora do ambiente de competição, o que colocava o EB110 à frente de seus principais concorrentes em termos de rigidez estrutural e segurança. O desempenho refletia esse conjunto técnico: aceleração de 0 a 100 km/h em cerca de 3,5 segundos e velocidade máxima superior a 340 km/h.
Apesar do reconhecimento da imprensa especializada, o Bugatti EB110 enfrentou dificuldades comerciais. O início dos anos 1990 foi marcado por recessão econômica global, e o custo elevado do modelo, aliado à produção artesanal e à complexidade técnica, limitou o volume de vendas. Entre 1991 e 1995, pouco mais de 130 unidades foram produzidas.
A Bugatti Automobili declarou falência em 1995, encerrando prematuramente o projeto. Ainda assim, o EB110 consolidou-se como um marco histórico.
Muitas das soluções adotadas no modelo tornaram-se padrão em superesportivos e hipercarros nas décadas seguintes. Mais do que um fracasso comercial, o EB110 é hoje reconhecido como o elo entre a Bugatti clássica e a era moderna da marca, retomada anos depois sob o comando do Grupo Volkswagen.