Marcas norte-americanas, europeias e japonesas têm trunfo que ainda falta às chinesas
Grande parte das “estrangeiras” em Pequim exibiram história para ratificar importância no desenvolvimento do automóvel

PEQUIM (CHINA) - A indústria automotiva chinesa é indiscutivelmente a mais avançada da atualidade. A gigantesca capacidade produtiva (acima de 50 milhões de veículos anuais) e a velocidade em que novos modelos e tecnologias são aplicados são um fenômeno que nenhum outro fabricante é capaz de igualar. Mas as antigas marcas norte-americanas, europeias e japonesas têm um trunfo que ainda falta às chinesas: legado.
É um ativo que somente o tempo oferece para uma marca. E grande parte das “estrangeiras” em Pequim exibiram sua história, para ratificar sua importância no desenvolvimento do automóvel.
A Audi – que na China tem duas marcas, uma com argolas e outra com letras – levou o icônico Auto Union Type-C para seu estande. Esse monoposto de 1936 era equipado com um gigantesco motor V16 de 520 cv, montado atrás do cockpit. Trata-se de uma potência inconcebível há 90 anos. Além disso, foi o primeiro carro a quebrar a barreira dos 400 km/h.
A BMW também levou duas “páginas” de sua história para Pequim. Um deles é o sedã 2002. O modelo lançado em 1966 foi o responsável pelo estilo Neue Klasse, que deu origem ao Série 3 que conhecemos, assim como a popula-rização da curva Hoffmeister, que é um recorte nas janelas traseiras de todos os sedãs e cupês da marca desde então. A “Casa de Motores da Baviera” ainda expôs o protótipo V12 LMR, carro que foi o carro que deu a única vitória da marca, nas 24 Horas de Le Mans, em 1999.
Já a Cadillac exibiu seu monoposto de Fórmula 1. A marca da GM fez sua estreia na categoria e não perderia a chance de levar seu carro para onde quer que ela vá. O carro pilotado por Valtteri Bottas e Sergio Perez ainda não engrenou. Nas três corridas disputadas, a melhor colocação foi um 13° lugar, no GP da China. Mas é um carro de Fórmula 1.
Mas Fórmula 1 mesmo (e vencedor) foi o Lotus 79, com o qual Mario Andretti conquistou o segundo título da Fórmula 1 para os Estados Unidos, em 1978. O monoposto britânico foi desenvolvido diretamente pelo gênio Colin Chapman. O carro foi equipado com motor Ford Cosworth V8 3.0 e marcou o último título da escuderia na F1.
Já a Peugeot levou para seu estande o hypercarro 9x8, que corre no Mundial de Endurance (WEC), na categoria Le Mans Hypercar. O protótipo híbrido impressiona pelas formas e dimensões. É a aposta da quarta vitória da marca do leão em Le Mans.
E se tem Le Mans na jogada, não pode faltar a Porsche. Os alemães levaram uma fração de seu legado incrível na corrida francesa para Pequim. Além do 919 que foi o último vitorioso no Circuit de la Sarthe, ela também expôs o 917K, primeiro vencedor da marca em Le Mans. E de quebra ainda posicionou o 936, que fez história ao vencer em 1976 e 1977.
Por fim, a Toyota entrou no salão disposta a divulgar o fascinante GR Yaris, que já está à venda no Brasil. E para promover o hot hatch, a marca levou a versão de rali para Pequim. O carro exposto correu o Rally 2 (segunda divisão do WRC). Mas chama atenção pelas extensas modificações na suspensão, estrutura e aerodinâmica. Um carro que mostrou seu valor e que atualmente sustenta a dinastia da Toyota no mundial de rali.