O número tem seu nome

Sucessor direto do lendário F1, McLaren W1 estreia com apenas 399 unidades e quase 1.300 cv

Novo V8 foi desenvolvido do zero para reduzir peso e suportar rotações elevadas

Marcelo Jabulas
@garagemdojabulas
Publicado em 24/07/2026 às 11:50.Atualizado em 24/07/2026 às 11:58.
 (McLaren/divulgação)
(McLaren/divulgação)

Mais de três décadas separam o lançamento do McLaren F1 da apresentação do novo W1, mas ambos compartilham a mesma missão: representar o estado da arte da engenharia da fabricante britânica. Revelado como sucessor espiritual do P1, o novo hipercarro reúne soluções desenvolvidas nas pistas e inaugura uma nova geração de modelos eletrificados de alto desempenho da McLaren.

A escolha do nome não é por acaso. O F1, lançado em 1992 e projetado por Gordon Murray, tornou-se referência entre os superesportivos ao combinar construção em fibra de carbono, posição de condução central e um motor V12 aspirado de origem BMW. Além de estabelecer recordes de velocidade para um automóvel de produção, também venceu as 24 Horas de Le Mans na estreia, consolidando uma reputação que permanece até hoje.

Duas décadas depois, a McLaren apresentou o P1. O modelo marcou a entrada da marca na era da eletrificação ao combinar um motor V8 biturbo com um propulsor elétrico, formando um conjunto híbrido de alto desempenho. O objetivo não era apenas aumentar a potência, mas utilizar a assistência elétrica para melhorar aceleração, resposta ao acelerador e eficiência dinâmica. O P1 passou a integrar o grupo conhecido como “Santíssima Trindade dos hipercarros”, ao lado do Ferrari LaFerrari e do Porsche 918 Spyder.

Agora, o W1 assume o posto de novo integrante dessa linhagem. Seu sistema híbrido combina um inédito motor V8 biturbo de 4 litros, denominado MHP-8, com um motor elétrico integrado à transmissão de dupla embreagem de oito marchas. O conjunto entrega 1.275 cv e 136 kgfm de torque, números que fazem do W1 o automóvel de rua mais potente já produzido pela McLaren.

Segundo a fabricante, o novo V8 foi desenvolvido do zero para reduzir peso e suportar rotações elevadas, enquanto o sistema híbrido privilegia desempenho em vez de autonomia elétrica. A bateria possui capacidade reduzida em comparação aos híbridos plug-in convencionais, refletindo a prioridade em oferecer menor massa e respostas mais rápidas durante a condução.

Outro destaque está na aerodinâmica ativa. O W1 incorpora um conjunto de asas móveis e dispositivos capazes de alterar significativamente o fluxo de ar conforme a velocidade e o modo de condução. Em configuração voltada para pista, o aerofólio traseiro se eleva e avança, trabalhando em conjunto com difusores e elementos ativos para gerar até 1.000 quilos de carga aerodinâmica, aproximando seu comportamento ao de um protótipo de competição.

A estrutura utiliza um novo monocoque de fibra de carbono denominado Aerocell, desenvolvido para integrar soluções aerodinâmicas diretamente ao chassi. O resultado é um veículo com peso de 1.399 quilos em ordem de marcha, valor baixo para um hipercarro híbrido dessa potência.

A produção será limitada a 399 unidades, todas já comercializadas antes mesmo do início das entregas. Assim como ocorreu com o F1 e o P1, o W1 chega para ser um carro mitológico e praticamente inacessível. Um fruto à devoção!

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