NO JALAPÃO

Testamos a nova Chevrolet S10 Trail Boss onde poucos carros chegam e voltam

Fomos até o miolo do Brasil para ver como S10 Trail Boss encara situações extremas com valetas, buracos, areia e toda sorte de obstáculos

Marcelo Jabulas@garagemdojabulas
Publicado em 04/08/2026 às 12:38.
 (Foto: Marcelo Jabulas)
(Foto: Marcelo Jabulas)

Jalapão (TO) - A Chevrolet ampliou a linha S10 com a chegada da versão Trail Boss, configuração voltada para quem precisa de uma picape preparada para enfrentar trilhas e terrenos severos. Vendida por R$ 341.290, ela aposta em uma preparação de fábrica para o fora de estrada, com suspensão elevada, novos componentes e pneus de uso misto. O conjunto busca atender um público específico, disposto a abrir mão de parte do conforto em troca de maior capacidade em terrenos difíceis.

O principal diferencial da Trail Boss está na suspensão. O conjunto recebeu componentes desenvolvidos pela australiana Ironman 4x4 e elevou a carroceria em 5 centímetros. Com isso, a picape passou a oferecer 37 centímetros de vão livre, permitindo enfrentar valetas, pedras, erosões e obstáculos com menor risco de tocar o solo ou atingir o fim de curso da suspensão.

Os novos pneus Pirelli Scorpion All Terrain completam o pacote, oferecendo maior aderência em pisos de baixa tração sem comprometer totalmente o comportamento no asfalto. O resultado é uma S10 visivelmente mais alta e preparada para suportar condições severas de utilização.

Essa preparação, entretanto, cobra seu preço no conforto. A suspensão é sensivelmente mais firme que nas demais versões da linha. Comparada às configurações High Country, LTZ e até mesmo à Z71, anteriormente a opção de perfil mais aventureiro da gama, a Trail Boss transmite muito mais as irregularidades do piso para a cabine.

Quem mais sente isso são os ocupantes do banco traseiro. Como toda picape média equipada com eixo rígido e feixes de molas, a suspensão traseira responde de forma mais seca em pisos acidentados. Em estradas de terra bastante castigadas, o sacolejo é constante, característica que faz parte da proposta do modelo.

Foi justamente em um dos cenários mais exigentes do país que a Trail Boss mostrou sua vocação. Durante a avaliação realizada no Jalapão, no Tocantins, região marcada por centenas de quilômetros de estradas de terra, areia e trechos extremamente degradados, a picape demonstrou robustez. A suspensão elevada evitou impactos do protetor inferior contra o solo e também reduziu a ocorrência de batidas de fim de curso, mesmo em obstáculos enfrentados em velocidade.

Apesar do comportamento mais firme, a estabilidade surpreende em pisos irregulares. A carroceria permanece bem controlada e transmite confiança ao motorista, permitindo enfrentar longos deslocamentos fora do asfalto sem que o veículo demonstre fragilidade estrutural.

No pacote de equipamentos, a Trail Boss praticamente repete o conteúdo da versão Z71. Há quadro de instrumentos digital, central multimídia compatível com Android Auto e Apple CarPlay, conectividade 4G, atualizações remotas e assistente virtual da Chevrolet. Entre os recursos de segurança estão alerta de colisão frontal e alerta de saída de faixa. Por outro lado, a ausência do piloto automático adaptativo (ACC) limita o pacote de assistências à condução.

Embora seja uma opção bastante competente, a Trail Boss não chega ao nível das picapes esportivas de alto desempenho, como a Ford Ranger Raptor, nem reproduz a proposta mais radical que a Toyota oferecia com a Hilux GR. Seu foco está menos na velocidade em trilhas e mais na resistência para enfrentar uso contínuo em condições severas.

Mesmo custando mais de R$ 340 mil e derivando de uma picape que completa 14 anos de mercado, a S10 Trail Boss encontra espaço entre consumidores que utilizam o veículo como ferramenta de trabalho em áreas rurais, mineração, turismo de aventura e parques naturais. Para quem precisa de uma picape preparada para enfrentar o fora de estrada sem recorrer a modificações no mercado de acessórios, ela entrega um conjunto robusto e capaz de suportar situações onde versões convencionais começam a mostrar suas limitações.

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