Documentário realizado com artistas e moradores do Morro das Pedras, em BH, será lançado no sábado

Da Redação
almanaque@hojeemdia.com.br
08/10/2021 às 18:35.
Atualizado em 05/12/2021 às 06:01
 (ELCIO PARAÍSO/DIVULGAÇÃO)

(ELCIO PARAÍSO/DIVULGAÇÃO)

“Não há sol a sós”, criação híbrida e coletiva que, entre relatos de vidas e montagens de dança e música, aborda a história do Morro das Pedras, é o produto da etapa final do Programa Somos Comunidade edição 2020/21, com lançamento nesse sábado (9), às 20h, no canal do YouTube e no site do projeto. 

O espetáculo-documentário busca redescobrir a vocação e a identidade do Morro das Pedras, com apresentações das diversas manifestações culturais da comunidade e da Escola de Artes Instituto Unimed-BH. Protagonizado por artistas, empreendedores e moradores do Morro, o filme conta com participações especiais de nomes do cenário cultural brasileiro de renome internacional, como Elza Soares, Carlinhos Brown, Fernanda Takai, Mônica Salmaso, Adriana Moreira e Mauricio Tizumba. 

A equipe de criação do Somos Comunidade, formada pela Coreto Cultural e o Instituto Unimed-BH, entrou no ano de 2021 com o grande desafio de construir, pela primeira vez, um espetáculo musical de muitos palcos, talentos, histórias, cenários e locações. Durante os meses de maio, junho e julho, o Morro das Pedras assistiu o movimento intenso da produção de “Não há sol à sós”. O título é um trecho da letra da música “Inclassificáveis”, de Arnaldo Antunes, que está no repertório do espetáculo. 

“O Somos Comunidade é um projeto de grande afetividade para nós e esta edição trouxe grandes desafios e aprendizados. Escutar e envolver moradores, superar as dificuldades dos ensaios à distância, pensar soluções para o registro de um elenco imenso de forma segura, identificar histórias e locações representativas, tudo isso para traduzir de forma respeitosa e verdadeira a cultura de uma imensa comunidade. A cada obstáculo, trabalho, intensidade e a certeza de ser possível e necessário realizar esse sonho”, conta Lilian Nunes, diretora executiva da Coreto Cultural e que também assina a direção geral do espetáculo-documentário.

Dirigido pelo artista audiovisual, produtor e roteirista Chico de Paula em parceria com Lilian Nunes, o trabalho não abandonou o formato de festival, exibindo a criatividade e o talento local através de cada número criado, ampliando e reverberando a diversidade de vozes e talentos do Morro das Pedras. Transitando entre o empreendedorismo, o dia-a-dia de seus moradores e as artes cênicas, urbanas e visuais, o espetáculo-documentário amplia os sentidos e aproxima o público de uma das maiores comunidades da Grande Belo Horizonte. 

“Esse trabalho se configura a partir das particularidades que os personagens que estão envolvidos demonstram. Acho que o maior desafio é preservar a identidade e característica de cada participante. Para mim, as âncoras são os artistas do Morro das Pedras. É a comunidade. Essa comunidade é que foi se impondo cada vez mais com a sua personalidade e suas características dentro de uma diversidade muito grande de abordagens, de olhares, de formas de falar, de se comportar, de pensar. O desafio maior é conseguir preservar e respeitar o que é uma fala e postura da comunidade. Não importa o formato, o excesso de tecnicismo no tratamento do conteúdo. Isso não é o que me interessa em nenhum momento. O que me interessa é a melhor forma de preservar e respeitar a característica e identidade de cada pessoa envolvida nesse trabalho. Porque é esse conjunto de identidades que vai nos dar um pouco da dimensão do que é a comunidade do Morro das Pedras”, explica o diretor Chico de Paula.

Repertório musical 

Para criar o eixo narrativo, foram selecionadas canções da MPB com temas baseados nos valores, sonhos e expectativas indicados no levantamento do Mapa Afetivo, a primeira etapa da edição 2020/21 do Programa Somos Comunidade. A pesquisa selecionou canções consagradas de autores como Ary Barroso, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Beto Guedes, Gonzaguinha, Lenine, Arnaldo Antunes, além do compositor do Morro das Pedras U-Gueto. No total, 13 músicas compõem a grande crônica afetiva da realidade do Morro, comum às periferias das grandes cidades brasileiras.     

As gravações das canções e trechos do documentário-festival reuniram diferentes gerações no Estúdio Gunga, instalado no Centro Cultural Flor do Cascalho, localizado no Morro das Pedras. Ali, 18 artistas solistas encararam as sessões de estúdio com muita dedicação e profissionalismo e mostraram porque o Morro das Pedras é considerado um celeiro de talentos. Dos mais velhos, os irmãos sambistas Domingos do Cavaco e Raquel Seneias aos jovens valores como Menino Jazz e Rick Silva, somou-se a revelação das meninas cantoras Bárbara, Yasmin, Sofia e Raynara, o talento dos músicos Hélio Andrade, Wagner Morrone, Evandro Mello, U-Gueto, Dodó Silva, Cinara Ribeiro, Mano Coti, Vinição e Ryan Bernardo, e os versos marcantes do poeta Júlio Alvair. Já 12 representantes do Congado da Irmandade Nossa Senhora do Rosário e São Benedito da Vila São Jorge, também no Morro das Pedras, percorreram as ruas do aglomerado num cortejo de fé e tradição que “pede licença” à comunidade e inicia o documentário.

Na interpretação do repertório selecionado, os solistas foram acompanhados por estrelas da música popular brasileira como Elza Soares, Fernanda Takai, Mônica Salmaso, Carlinhos Brown, Adriana Moreira e Maurício Tizumba – sendo os dois últimos artistas também participantes de outras edições do projeto, além de grupos parceiros e patrocinados pelo Instituto Unimed-BH. 

O diretor musical Gilvan de Oliveira elaborou os novos arranjos de cada uma das canções que foram executadas pela banda formada pelo próprio Gilvan de Oliveira (violão e arranjos), Cléber Alves (sax), Christiano Caldas (Acordeon), Felipe Villas Boas (Guitarra), Gustavo Figueiredo (Teclados), Ivan Corrêa (Baixo), Lincoln Cheib (Bateria), Mauro Rodrigues (flautas, arranjos de orquestra e de sopros), Serginho Silva (percussão) e mixadas por Alessandro Tavares.

Para o espetáculo-documentário, percussões, vozes e instrumentos acústicos foram gravados pelos participantes do Batuques Salubre infantil e adulto, o Coral Unimed-BH e a Orquestra Sinfônica de Betim - regidos pelo maestro Márcio Pontes, integrantes do Bloco Saúde, grupo formado por médicos cooperados, colaboradores da Unimed-BH, e convidados, comandado por Maurício Tizumba. O resultado musical serviu de base para as gravações audiovisuais desses grupos realizadas no Morro das Pedras e no Palácio das Artes. 

“O fio condutor, o que harmoniza, é a entrega e o afeto.  É a certeza de que a arte salva, que arte é essencial, de que ela é tão essencial quanto o ar, a água, quanto o alimento, quanto o afeto. Ela faz parte desse belo pacote que todo ser humano precisa. Somos todos inclassificáveis, somos gente para brilhar e no sol não há sol a sós. Temos que estar juntos para cuidarmos uns dos outros. Nada fazemos sozinhos. A entrega das pessoas neste projeto, de todas as partes do projeto, foi muito grande. E rompeu uma grande dificuldade que é trabalhar à distância para montar um documentário musical e de experiências artística, cultural e social. O Somos Comunidade é uma das coisas mais fortes, mais belas que esse país pode ver dentro de exemplos e de força do ser humano e da nossa gente dentro dessa pandemia”, conta o diretor musical, Gilvan de Oliveira.

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