TIRADENTES – “Estado Itinerante” foi um dos filmes mais premiados de 2016. Focado na violência doméstica sofrida por uma cobradora de ônibus, o curta-metragem marcou a estreia da mineira Ana Carolina Soares na direção. O tema das mulheres de periferia voltou à tona no trabalho seguinte, “Logo Após”, exibido na 22ª Mostra de Cinema de Tiradentes.

“Neste momento da vida, o que me move realmente é tratar desse tema. Pretendo permanecer nele, enquanto tiver histórias para tratar. E, no momento, tenho muitas”, registra Ana Carolina. 

Apesar do tema parecido, “Logo Após” traz outras nuances. O encontro de mulheres na narrativa, segundo ela, não é tão simples, marcado por “camadas de silêncios, insatisfações, opressões e atos ilícitos”.

A trama aborda questões como maternidade e aborto, a partir do cruzamento das histórias de duas garotas, uma negra, da periferia, e outra branca, de classe mais estruturada. O ponto que as une é uma abortista, que passa por conflitos de identidade. “Em relação ao ‘Estado Itinerante’, ele reverbera mais, joga mais na cara do espectador as insatisfações”, compara.

Elenco

Assim como no trabalho anterior, “Logo Após” foi filmado no bairro Boa Vista, na região Leste de BH, onde a diretora reside. Os dois filmes também têm em comum a proximidade com as histórias e o fato de misturar atrizes profissionais e amadoras. No primeiro, a única atriz com experiência era Lira Ribas, ganhadora do troféu Candango no Festival de Brasília.

A cineasta teme que um retrocesso na questão do empoderamento das mulheres prejudique a busca de recursos para os seus trabalhos. Ela lembra que “Estado Itinerante” recebeu várias negativas em editais até que o cenário cultural do país se modificou, abrindo espaços para questões da mulher. Atualmente está envolvida num documentário que terá como cenário o bairro Taquaril.

(*) Viajou a convite do evento

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