O guitarrista Kiko Loureiro lembra que não foi apenas talento que o fez ser chamado para o Megadeth, uma das importantes bandas de trash metal do mundo. Foi fundamental para ele entender o funcionamento do mercado artístico e identificar as oportunidades.

A grande chance de sua vida aconteceu num festival na Bolívia, no início da década passada, quando vários artistas tiveram problemas de visto e não chegaram a tempo para o evento. “Eu estava no hotel, pois iria me apresentar com o Angra, quando ajudei o contratante e me dispôs a tocar sem receber nada”, recorda.

“Eu poderia passar uma tardezinha tranquila, subindo as escadas com dificuldade devido à altitude, mas resolvi ‘tirar’ as músicas e tocar com eles. O mesmo aconteceu em São Paulo. Entre estes convidados estava o baixista do Megadeth, David Ellefson, que me viu tocar e se lembrou de mim quando estavam procurando um guitarrista”, destaca.

O episódio é bastante ilustrativo do que Loureiro quer ensinar no livro “Negócio para Criativos “(Editora Gente), disponível a partir deste sábado (10) nas lojas virtuais, poucos  antes da celebração do Dia Mundial do Rock (13 de julho). Para vencer nesse universo, o artista não pode só pensar no consumidor final, segundo Loureiro.

“É preciso entender a lógica de como as coisas funcionam no mercado, o music business. É entender que o maior parceiro dele é o dono do bar, pois foi este que o contratou, que pôs o dinheiro em risco. É uma troca, em que seu trabalho irá oferecer um valor a ele. Para lhe dar um espaço no palco, tem que saber o que você tem”, observa.

No mundo das redes sociais, principalmente, se o artista não é “descoberto”, a culpa não é de ninguém mais do que dele próprio. “Você é que se faz. É necessário mostrar a cara, se colocar,  criar um personagem, entender o seu público e postar na internet”, ensina. Só assim para perder o medo e ver na arte um amplo e profissional mercado.

“Foi um assim que um brasileiro que canta heavy metal, num país em que ninguém sabe inglês e que gosta de sertanejo e pagode, passou a viver bem e fazer o que gosta. Não adianta tocar bem para caramba se não sabe o que fazer com aquilo, se não sabe como funciona a parada, o que está por trás de uma casa de show, por exemplo”, explica.

Quando começou, Loureiro era da banda de apoio do grupo Dominó e tocou com o Supla. Vivia com medo de não conseguir se sustentar com a música, o que o levou a concluir o curso de Biologia na USP. Aprendeu tudo com a vivência, estudando music business quando só havia livro “gringo” sobre o tema.

O guitarrista aproveitou a pandemia, quando as grandes turnês do Megadeth tiveram que ser interrompidas, para finalizar o livro. Desde fevereiro do ano passado está em Helsinque, capital da Finlândia, terra natal da esposa e tecladista. Só saiu de lá em setembro, para terminar as gravações do mais recente álbum da banda.

Agora vive a expectativa de retomar a estrada, quando o grupo fará, a partir do próximo mês, uma turnê por Estados Unidos e Canadá. “É estranho, você fica pensando se ainda sabe fazer. Claro que sabe, mas você fica preocupado em não perder o ritmo de jogo. Até por isso vamos ensaiar por um mês, para chegar lá perto do ideal”.

kiko

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