Fotos que circulam nas redes sociais mostrando obras no conjunto de imóveis do entorno do casarão onde o escritor mineiro Guimarães Rosa morou, no bairro Santo Antônio, em Belo Horizonte, acenderam o alerta de que o conjunto, tombado como Patrimônio Histórico Municipal, poderia estar sendo demolido. Segundo a Fundação Municipal de Cultura e a construtora Canopus, responsável pela obra, no entanto, as demolições acontecem apenas em estruturas sem valor histórico e o casarão - além de outras 12 casinhas do entorno - serão restaurados como parte do projeto de construção de um prédio de 25 andares atrás do casarão que abrigou o escritor.

Nos últimos dias, operários e máquinas vêm trabalhando no terreno, localizado na esquina das ruas Congonhas e Leopoldina, bairro Santo Antônio, região Centro-Sul da capital, endereço que foi moradia de um dos maiores romancistas brasileiros. Segundo o diretor de marketing e vendas da Canopus, Társio Barbosa, a estrutura demolida foi um "puxadinho", construção que não fazia parte do projeto original do conjunto.  "O casarão não foi demolido. Isso não é verídico", garante. O diretor diz que há estruturas que não fazem parte do projeto de restauração "e estão sendo retiradas por questão de segurança".

A Fundação Municipal de Cultura explica que foi aprovado um projeto de restauração da antiga casa de Guimarães Rosa e de outras 12 que estão no mesmo local. Em nota, o órgão informou que o plano prevê "uma série de diretrizes que preservam e valorizam o imóvel. O projeto está sendo executado. Nenhuma casa foi demolida - todas estão sendo restauradas de acordo com projeto aprovado pelo Conselho Municipal de Patrimônio Cultural", informou a Fundação, em nota.

A restauração, segundo o diretor da Canopus, deve durar pelo menos dois anos, mas as obras só terão início depois que a área for "limpa", ou seja, quando forem removidas as estruturas que não fazem parte do projeto original. Ainda de acordo com o diretor,  a previsão é de que a restauração seja concluída junto a com a entrega do prédio, que terá entrada diferente, pela rua São Domingos do Prata. "Existe um muro separando os imóveis tombados do prédio", ressaltou Barbosa.

Para a construtora conseguir o Habite-se - documento expedido pela prefeitura atestando que o imóvel está pronto para ser habitado - será preciso entregar as casas restauradas conforme o projeto aprovado pelo Conselho Municipal de Patrimônio Cultural.

Guimarães em BH

Nascido em 1908, em Cordisburgo, região Central, Guimarães Rosa passou parte da infância e a juventude na capital mineira, onde se formou em medicina e se casou. No período em que viveu na cidade, já despontava como um escritor promissor, premiado pela autoria de contos. 

Foi também no quarteirão da rua Congonhas que, por anos, existiu o famoso Bar do Lulu. O imóvel também foi cenário da gravação do filme “O Menino Maluquinho”.

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Veja galeria de imagens das obras no conjunto de imóveis do entorno do casarão