O prédio do antigo Departamento de Ordem Política e Social de Minas Gerais (DOPS-MG) deverá receber, a partir de 2019, obras para abrigar o Memorial de Direitos Humanos Casa Liberdade. O projeto, lançado em abril deste ano, tinha previsão de ser inaugurado ainda em 2018.

“É tempo de contar a verdade, mostrar o que realmente aconteceu e relembrar pessoas que, apesar de não estarem aqui, têm o devido lugar na história da cidade”, afirma a socióloga Celina Albano, que teve amigos presos no local e esteve em visita guiada por lá, nessa terça-feira (4).

A ação, que objetiva proporcionar a estudantes conhecimento sobre o DOPS, teve a quarta e última edição em 2018. 

“Explicando o significado dele, fica mais fácil entender o que vai ser o Memorial”, sublinha Vanuza Nunes, diretora de Memória e Verdade da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (Sedpac).

Estudante de Ciência da Informação, Felipe Hoffman participou da visita guiada no prédio

Felipe Hoffman participou da visita guiada 

Além dos encontros, exposição itinerante na avenida Bernardo Monteiro, bairro Funcionários, que começa na próxima semana, apresentará um pouco mais sobre o conteúdo projetado para o espaço. 

“A exposição será durante a Mostra de Direitos Humanos, entre 10 e 14 de dezembro, e trará obras baseadas no conceito do que virá a ser o Memorial”, detalha Vanuza Nunes. Atividades como a exibição de filmes que tratam da ditadura militar estão na programação.

Primeira vez

Visitas guiadas, como a dessa terça-feira, permitem a troca de experiências entre quem vivenciou esse momento da história brasileira e aqueles ávidos por informações daquele tempo.

Uma das presenças foi a do aposentado Salvio Humberto Penna, de 75 anos, preso e torturado naquele período. “Estou entrando aqui pela primeira vez com os olhos abertos. Antes, entrei e saí encapuzado”, relatou. 

Para o estudante universitário Felipe Hoffman, de 30 anos, a iniciativa tem extrema relevância. “Ver esses relatos tomando forma por meio do espaço é incrível. É uma sensação de angústia, mas de esperança que isso se transforme em um museu”, acredita.

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