Luly Lage tinha pavor de livros. O pai tentava estimular a menina de 11 anos de todas as maneiras, mas as leituras não passavam de histórias em quadrinhos mais comerciais. Até que um jovem inglês recém-iniciado na escola de magia e bruxaria de Hogwarts mudou para sempre a vida da hoje restauradora e escritora de 31 anos.

“Ganhei da minha madrinha ‘Harry Potter e a Pedra Filosofal’ no Natal de 2000, um ano antes do lançamento do filme baseado nele. Deixei o livro de lado até que, na véspera da estreia, minha escola resolveu levar os alunos para o cinema. Meu pai só deixaria ir se eu o lesse antes. Não consegui parar. Li por sete vezes seguidas”, recorda.

Vice-presidente do fã-clube Potter Club BH, Luly adianta uma comemoração mais discreta dos 20 anos de lançamento do primeiro longa, que chegou às telas em 4 de novembro, numa première ocorrida na Inglaterra, país natal do personagem e da autora J. K. Rowland. No Brasil, o lançamento aconteceu menos de um mês depois, no dia 23.

“Devido à pandemia, não estamos muito confortáveis para fazer algo presencial. Mas certamente vamos postar muita coisa no Instagram”, avisa. Luly se recorda da exibição de “A Pedra Filosofal” em 2015, promovida pelo fã-clube, quando lotaram três salas de um shopping com pottermaníacos, muitos deles devidamente paramentados.

A restauradora estava com trajes “civis”, preocupada que estava em organizar o evento – o maior já realizado pelo Potter Club BH, que tem dez anos de fundação. Mas na última convenção do fã-clube, em 2018, durante um baile de inverno, ela confeccionou um traje especial de sua personagem favorita, Hermione, amiga do bruxinho.

“Mandei fazer um vestido igual ao do filme, só que, no lugar da cor rosa, ele era azul, como descrito no livro”, assinala Luly, que costuma dizer que entrou e saiu de Hogwarts juntamente com Potter. Ela tinha 11 anos, a mesma idade do personagem, quando tomou contato com o primeiro livro. Ambos chegaram aos 17 na sétima e última publicação.

“Apesar de não ser o meu livro preferido, ‘A Pedra Filosofal’ provocou uma sensação muito particular em mim, porque parecia que tinha alguém me explicando alguma coisa, pegando na minha mão para me conduzir até àquele universo”, registra Luly, que também só é elogios para o filme, “uma porta de entrada maravilhosa ao mundo de Harry”.

Além da construção narrativa de Rowland, o mergulho em Hogwarts foi facilitado por uma temática que já lhe fascinava desde a mais tenra idade. “Antes de conhecer Harry Potter, criei uma bruxinha. Pegava os potes de shampoo do banheiro e levava para o quarto, fazendo deles as minhas poções”, lembra.

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