O drive-in é a saída mais segura para a volta de um velho prazer interrompido pelo coronavírus: a ida ao cinema. No último domingo (15), aconteceu a primeira sessão neste formato, no Alphaville, em Nova Lima. Em Belo Horizonte, onde a instalação destes dispositivos ainda não é permitida, a regulamentação desta modalidade ganhou, nessa quinta-feira (18), parecer favorável da Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura, Desporto, Lazer e Turismo da Câmara Municipal.

As salas de cinema tradicionais estão impedidas de funcionar desde o início da pandemia, em março, e, por serem locais fechados que facilitam a propagação do vírus, estão entre os últimos setores a serem reabertos. Os drive-ins surgiram então como uma alternativa no mundo, resgatando-se uma atividade comum nas décadas de 1940 a 1970, em que as pessoas assistiam aos filmes em seus veículos, em espaços abertos. A tela é a mesma dos cinemas, mudando a forma como o áudio chega ao público, em transmissões na faixa FM dos rádios.

A PL 968/20 é de autoria do vereador Léo Burguês e tem Álvaro Damião como relator. “Considerando que o isolamento social causado pela Covid-19 pode se prolongar por mais tempo e vir a ser recomendado por um tempo maior ainda por precaução sanitária, a modalidade para a realização de espetáculos e apresentações propostas pelo projeto pode constituir uma nova forma de empreendimento artístico, de renda para o município e de garantia de diversão para a população que se vê tão limitada nesse quesito diante das vedações impostas”, observou Damião.

Em Minas, duas empresas estão à frente deste empreendimento. A Cineart, que inaugurou o primeiro drive-in e prepara um segundo, no Mix Garden, também em Nova Lima; e o Autocine, do produtor cultural Gipson Mol, que, assim que tiver a liberalização da prefeitura, deverá abrir o primeiro drive-in em Belo Horizonte, no Expominas. Ele também pretende criar espaços em Betim, Brumadinho e Contagem. A Cineart, dona da maior rede de salas de exibição no Estado, deverá usar os estacionamentos de shoppings de BH, assim que for autorizado.

Tanto a Cineart quanto o Autocine projetam a continuidade do drive-in no período pós-pandemia. "Acho que é um projeto que pode acontecer paralelamente às salas de cinema abertas. Uma coisa não impede a outra", registra Thais. No caso da Autocine, o projeto se transformará em cinema itinerante, levando a experiência para o interior o Brasil. "Não é só uma oportunidade de negócios surgida pela demanda. Nosso desejo é percorrer o Brasil inteiro", afirma Mol.