Despesa maior com gasolina engole renda do trabalhador na Grande BH

Luisana Gontijo
lgontijo@hojeemdia.com.br
10/07/2021 às 10:25.
Atualizado em 05/12/2021 às 05:23
 (Maurício Vieira)

(Maurício Vieira)

Neste país de dimensões continentais, em que o transporte rodoviário é usado para levar 75% de toda a produção entre uma região e outra, os preços dos combustíveis impactam a vida da maioria absoluta da população. Nos postos da Grande BH, um motorista gasta, hoje, para encher de gasolina o tanque de 40 litros de seu carro em cada uma das quatro semanas do mês, praticamente o valor de outro tanque a mais do que desembolsava antes da pandemia, em janeiro de 2020.

Isso porque o preço médio do litro de gasolina na RMBH, segundo pesquisa do site Mercado Mineiro, custa atualmente R$ 5,805, sendo necessários R$ 232,20 para completar o tanque de 40 litros. Em janeiro de 2020, antes da chegada da pandemia ao Brasil, esse mesmo litro do combustível era encontrado na Grande BH por R$ 4,375, que, multiplicados por 40, demandavam o desembolso de R$ 175. Maurício Vieira

 Cláudia deixa carro na garagem e vai trabalhar de moto, para gastar menos

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Assim, a cada semana que enche o tanque de seu automóvel, o motorista gasta hoje R$ 57,20 a mais do que em janeiro de 2020. Se ele precisa do tanque cheio semanalmente, deverá despender R$ 228,80 por mês – só R$ 3,40 a menos do que desembolsa a cada sete dias para reabastecer.

Outra comparação que ajuda a esclarecer o quão oneroso é o atual valor da gasolina no orçamento desse cidadão leva em conta o salário mínimo vigente, de R$ 1.100. Abastecer o tanque de 40 litros consome 21,10% do salário mínimo. Encher o tanque uma vez por semana, então, gera um comprometimento mensal de 84,40% do mínimo, R$ 928, 80 ao mês.

Esse custo é ainda mais alarmante quando o avaliamos no contexto do país, em que, com a pandemia e a crise econômica, registrou queda da renda per capita, em 2020, a R$ 1.380.

Muita gente que depende de um veículo automotor para trabalhar e sustentar a família tem feito malabarismos para bancar os aumentos sucessivos nos preços dos combustíveis. 

Dono de uma agência de publicidade digital em BH, Jader Viana conta que usa o carro para fazer visitas a clientes em cidades próximas, abastecendo com R$ 100 de gasolina toda semana. “Antes da pandemia, eu conseguia rodar por uma semana e meia com R$ 100. Hoje, mal dá para uma semana”, lamenta ele.

A alternativa adotada pela enfermeira Cláudia Mônica Campos, que atua em um hospital do Estado, para bancar o combustível de ida e volta ao trabalho é a motocicleta. Ela conta que deixa o carro na garagem e circula de moto, para gastar menos. “Eu abastecia a moto e o carro toda semana. Com esses aumentos, só tiro o carro da garagem em ocasiões específicas. Até a gasolina da minha moto, supereconômica, pesa no bolso. Antes, enchia o tanque com R$ 18 a R$ 20, agora, gasto R$ 35”, diz.

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