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Disparada da gasolina abre espaço para crescimento dos 'bike boys' em BH

Hermano Chiodi
hcfreitas@hojeemdia.com.br
Publicado em 14/05/2022 às 06:30.
O bike boy Bernardo Bessone começou a trabalhar com a “magrela” na pandemia, após se ver desempregado, e hoje atua com entregas na região central de Belo Horizonte (Fernando Michel)

O bike boy Bernardo Bessone começou a trabalhar com a “magrela” na pandemia, após se ver desempregado, e hoje atua com entregas na região central de Belo Horizonte (Fernando Michel)

A disparada nos preços dos combustíveis – que subiram em média 32,8% entre janeiro e abril – e ainda o custo elevado da aquisição e manutenção de motocicletas têm alimentado o crescimento de uma modalidade alternativa de entrega: os chamados “bike boys”. Tanto que a startup Giross, especializada em entregas, registrou, somente este ano, 30 mil entregas via pedaladas em Minas Gerais.

Conforme a empresa, os bike boys já são 20% de todos os entregadores cadastrados na plataforma – as adesões cresceram 4,2% somente nos quatro primeiros meses deste ano.

Animado com a ideia de juntar o hábito de andar de bicicleta com a necessidade de ganhar dinheiro, Edileus Celestino de Souza começou a trabalhar como bike boy na pandemia. “Eu comecei a fazer esse serviço porque precisava encontrar um sustento. É econômico. Já tinha a bicicleta e utilizei para trabalho”, disse. Ele conta que a jornada dos bike boys é dura, começando o dia cedo e pedalando enquanto houver pedidos. “São cerca de 25 viagens por dia. O valor varia de acordo com o aplicativo e o horário, mas, em média, é pago entre R$ 5 e R$ 7 por entrega”, afirmou.

Celestino, que faz entregas na região central de Belo Horizonte, diz que, apesar do relevo difícil de Belo Horizonte, o trabalho acaba compensando. “Subir morro não é um problema, a gente aprende e acostuma. O maior problema dessa atividade na cidade é o perigo do trânsito e a falta de educação das pessoas com os ciclistas”, afirma.

Segundo a Giross, o ganho de cada entregador é de aproximadamente R$600 semanais, com jornadas de 8 horas diárias.

Bernardo Bessone, morador de Belo Horizonte, é outro que começou a trabalhar como bike boy após ficar desempregado na pandemia. “Tudo é caro. Tirar a carteira, comprar uma moto, fazer manutenção, colocar combustível. A bicicleta não tem esses custos. A gente faz manutenção no meio da rua e não gasta combustível. Foi a alternativa que eu encontrei para trabalhar”, conta Bessone.

Ele diz que não pensa em largar a profissão nem comprar uma moto neste momento, mas reforça que nem tudo são flores. “O valor que os aplicativos pagam para o entregador é muito baixo e as viagens que eles propõem às vezes são longas demais. Isso dificulta muito nosso dia a dia”, reclama.

Potencial

Apesar do aumento dos serviços de entrega em Belo Horizonte, o potencial das bicicletas para complementar a logística da cidade ainda é pouco explorado, explica Guilherme Tampieri, coordenador de projetos e membro do Movimento Ciclo BH.

Para ele, é preciso entender que o planejamento urbano deve considerar as diferentes possibilidades para viabilizar a dinâmica da cidade. “O caminhão é muito importante e necessário até certo ponto. Em algumas regiões da cidade ele vai poluir, colocar em risco a vida de pedestres e tumultuar o trânsito. Nesse trecho, a última milha antes da entrega, é que as bicicletas podem ser utilizadas com mais vantagens”, afirma.

Porém, para Tampieri, para que isso se torne real, é preciso reformular as ciclovias e a relação com os ciclistas entregadores. “A remuneração é inadequada e as vantagens ecológicas da bicicleta não são consideradas. O serviço às vezes é feito de forma improvisada, com bicicletas inadequadas, com pneus ruins e sem o preparo necessário”, afirmou.

Pesquisa da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), com dados de 2019, mostrou que a maior parte das entregas feitas com bicicletas na cidade são para empresas de comércio eletrônico. Os principais produtos enviados são documentos, alimentos, livros e eletrônicos.
De acordo com o levantamento da PBH, na cidade, cada entregador faz cerca de seis viagens por dia em viagens de aproximadamente 5 km. 

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