Fecomércio-MG

Nove em cada dez famílias mineiras adiaram compras de bens duráveis, aponta pesquisa

Leíse Costa
leise.costa@hojeemdia.com.br
09/02/2022 às 06:30.
Atualizado em 09/02/2022 às 08:15
FICA PARA DEPOIS – Com o poder de compra defasado, a técnica em enfermagem Cláudia Oliveira a compra de uma máquina de lavar (Maurício Vieira)

FICA PARA DEPOIS – Com o poder de compra defasado, a técnica em enfermagem Cláudia Oliveira a compra de uma máquina de lavar (Maurício Vieira)

A pressão inflacionária e o encarecimento do crédito – movimentos que evoluíram e acumularam ao longo do ano passado – permanecem freando o consumo das famílias e se refletindo muito fortemente no adiamento da compra de bens duráveis, como automóveis e eletrodomésticos. É o que aponta a pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), feita com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e elaborada pela Fecomércio- MG.

O levantamento, divulgado nesta terça-feira (8), mostra que quase 9 entre 10 pessoas (87,4%) avaliam que, atualmente, é um “mau momento” para a compra de produtos mais caros. “São bens de alto valor agregado, que o consumidor adquire via parcelamento ou financiamento, o que tem forte correlação com o acesso ao crédito”, explica Guilherme Almeida, economista-chefe da Fecomércio-MG.

“Atualmente, há uma pressão da inflação muito alta, que deteriora o poder de compra das famílias e, concomitante, temos a taxa básica de juros crescente, para tentar debelar a inflação mas e que, consequentemente, encarece o crédito”, acrescenta.

Considerando a taxa Selic a 10,75% atualmente, a pesquisa também mostra que 46,9% dos consumidores acreditam que está mais difícil conseguir empréstimo/crédito para compras a prazo, em comparação ao ano passado.

 (Maurício Vieira/Hoje em Dia)

(Maurício Vieira/Hoje em Dia)

Planos adiados

Com a pressão da inflação na alimentação e itens básicos de consumo domiciliar, como aponta a pesquisa, bens duráveis, mais caros, vão ficando para depois.

A técnica em enfermagem Cláudia Oliveira, por exemplo, disse à reportagem que tem adiado há dois anos a compra da máquina de lavar roupas. “Antes eu fazia uma compra mensal de supermercado que ficava em torno de R$ 300. Hoje eu não consigo comprar tudo que comprava antes por menos de R$ 600”, diz. Além do eletrodoméstico prorrogado, o poder de compra corroído da profissional de saúde adiou a meta da formação no ensino superior em gestão hospitalar dela e a do filho, de 19 anos, em direito. 

O peso do supermercado e de outras contas básicas levou também a dentista Luciana Quintão a adiar planos. “Tinha intenção de trocar meu carro, mas desisti porque não é só o supermercado, é um peso muito forte da gasolina. E, apesar de o carro usado ter valorizado, como as despesas estão muita mais caras, não é possível criar um caixa para reserva e completar a troca”, afirma.

Indicadores macroeconômicos

O adiamento das compras de bens duráveis é um reflexo da queda de outros indicadores econômicos. Segundo o levantamento da Fecomércio, em janeiro, a intenção de consumo das famílias apresentou uma redução de 1,4 ponto, atingindo uma pontuação de 71,4 contra 72,8 pontos no mês de dezembro de 2021. O resultado foi influenciado pela retração, no mesmo período, dos itens que compõem o ICF: emprego atual (de 107,2 para 105,6 pontos); perspectiva profissional (101,9 pontos para 93,0); acesso ao crédito (71,1 para 70,7) e perspectiva de consumo (74,0 para 73,6).

O economista Guilherme Almeida ressalta que os indicadores são altamente sensíveis aos fatores macroeconômicos, que seguem sofrendo retração. “Apesar da geração de postos de trabalho ter crescido, a taxa de desemprego está elevada e há um aumento de postos informais, que têm salários menores que os empregos formais”, enumera.

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