Reclamações decolam

Queixas contra empresas de transporte aéreo saltam 300% em Minas

Hermano Chiodi
hcfreitas@hojeemdia.com.br
02/07/2022 às 12:30.
Atualizado em 04/07/2022 às 11:56
Recomendação da Anac é primeiro uma tentativa de reclamação na própria empresa, depois nos órgãos de defesa do consumidor e por fim na agência de regulação (Ahmed Muntasir/Pexels)

Recomendação da Anac é primeiro uma tentativa de reclamação na própria empresa, depois nos órgãos de defesa do consumidor e por fim na agência de regulação (Ahmed Muntasir/Pexels)

O setor de transporte de passageiros no Brasil está enfrentando dificuldades para decolar depois da forte retração provocada pela pandemia de Covid-19, e os passageiros têm sofrido as consequências nos preços das passagens e na menor qualidade dos serviços. As reclamações registradas nos Procons de Minas tiveram um salto de aproximadamente 300%, na comparação do primeiro semestre de 2022 com o mesmo período do ano passado, segundo dados disponibilizados pelo órgão.

Uma dessas reclamações é de Thatielli Sales, administradora, moradora de Santa Luzia, na Grande BH, que viu uma viagem a passeio com as amigas para o Rio de Janeiro se transformar em um transtorno, até agora sem solução. 

Segundo ela, os problemas começaram na ida, em novembro do ano passado, por causa de dificuldades no embarque. Mas foi a volta do passeio que motivou as reclamações. “O voo estava agendado para o domingo à noite, mas a empresa não conseguiu confirmar. No entanto, a empresa antecipou para domingo de manhã. Nós tivemos que cancelar compromissos e mudar todo o planejamento”, conta.

Reembolsos descumpridos e mudanças no voo estão entre os temas mais reclamados pelos usuários do serviço de aviação, segundo a Anac

Em contato com a empresa foi acertado um bônus. Mas quando a administradora foi requerer a compensação, em 2022, a companhia aérea não conseguiu encontrar o registro da negociação e mais uma queixa foi feita por Thatielli – que após vários contatos, ainda não conseguiu resolver o problema.

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) informou que acompanha o crescimento das reclamações no setor e argumentou que esse aumento registrado em 2022 se justifica, em parte, pela menor quantidade voos realizados em 2021.

“O ano passado registrou um pico de contaminação de Covid-19 no primeiro semestre, o que provocou uma redução de quase 41% nos voos. Com menos voos, menor a quantidade de reclamações registradas”, afirmou a associação. 

No primeiro semestre de 2021, o país registrou uma média de 1.240 decolagens por dia. Neste ano, na comparação com o mesmo período, foram 1.866 decolagens por dia, um aumento de aproximadamente 50%, de acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Reembolsos e mudanças no voo, como aconteceu com Thatielli, estão entre os temas mais reclamados pelos usuários do serviço de aviação, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), com 25% e 15%, aproximadamente, das reclamações registradas. Em 2021, segundo a agência, a principal queixa dos passageiros foi problemas na oferta e compra de passagens, com cerca de 30% das reclamações.

Para quem enfrenta problemas como esses, a recomendação da Anac é primeiro uma tentativa de reclamação com a própria empresa, depois nos órgãos de defesa do consumidor e um registro na agência de regulação.
“Contudo, eventuais indenizações por danos morais ou materiais, decorrentes de possível descumprimento do contrato de transporte aéreo, devem ser realizadas perante os órgãos de defesa do consumidor”, informou em nota.

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