DE VOLTA AO RINGUE

Mídias físicas como vinil e DVD entram na briga contra o streaming e são alvo de colecionadores

Paulo Henrique Silva
phenrique@hojeemdia.com.br
25/07/2022 às 07:58.
Atualizado em 25/07/2022 às 08:22
FILME DE TERROR? – Guimarães brinca dizendo que o quarto é um lugar assustador, com pilhas de DVDs por todos os lados (Lucas Prates/Hoje em Dia)

FILME DE TERROR? – Guimarães brinca dizendo que o quarto é um lugar assustador, com pilhas de DVDs por todos os lados (Lucas Prates/Hoje em Dia)

Mídias antes condenadas a virarem artigo de museu, devido ao surgimento de novas tecnologias, estão ganhando novo fôlego entre cinéfilos e apreciadores da boa música. A procura por filmes em VHS e DVD e músicas em vinil criou uma espécie de “caça ao tesouro”, em que um disco de rock progressivo pode chegar a R$ 200.

A capital mineira está cheia de cartazes onde se lê “compro vinil” e há quem tire o sustento da compra e venda de DVDs antigos. No caso dos filmes, a explicação está numa constatação sobre o universo do streaming: obras antigas “desapareceram”, estando impossíveis de serem acessadas nas plataformas. 

“As pessoas procuram os clássicos e não encontram”, registra Marcello Guimarães, ex-atendente de videolocadora e um dos nomes mais procurados por cinéfilos em busca de algum título específico. O acervo dele, concentrado num quarto de apartamento, conta com nada menos do que 10 mil DVDs.

Outro motivo que leva as pessoas a se voltarem novamente para os DVDs está, segundo Guimarães, na fragmentação dos canais de streaming, divididos entre as principais distribuidoras. “Hoje você tem que ter vários canais para poder acessar todos os filmes. Antes a maioria estava disponível na Netflix”.

O colecionador, dono também de mais de 5 mil cartazes de cinema, percebe uma questão comportamental nessa ressurreição das antigas mídias. 

“O fato de se ouvir o chiado do vinil faz parte da música, assim como o chuvisco das imagens do VHS se torna inerente ao filme. Eles têm seu charme”.

Sensação tátil

Ele destaca que, com a “virtualização” das coisas, hoje as pessoas querem ter a sensação de poder pegar no objeto. “É o que acontece com o livro. Você tem o PDF, mas prefere folheá-lo do que ficar à frente do notebook”, assinala Guimarães, que passou a dar mais valor à coleção após entrar num curso de conservação e restauração.

A criação de uma espécie de museu da imagem e do som já passa, inclusive, pela cabeça. “Não quero isso tudo só para mim. Gostaria de compartilhar, criando uma salinha para pessoas verem, ou emprestando, por exemplo, um filme sobre tribunal para uma associação de advogados fazer uma sessão comentada”, anseia.

O grande patinho feio é o CD, o menos procurado. Entre fazer um download e comprar um disco compacto, a primeira opção ainda acaba sendo a melhor para muita gente. “A superioridade do vinil está mais no ritual e ver uma arte bonita na capa”, pondera a vendedora.

O Video Home System (VHS, ou Sistema Doméstico de Vídeo, em português) foi desenvolvido pela Victor Company of Japan (JVC) a partir de 1971 como um sistema com fita magnética para uso caseiro que fosse compatível a qualquer aparelho de televisão
O DVD (Digital Video Disc) foi lançado em 1995 e, apesar do tamanho parecido com o de um CD, se diferencia pela maior capacidade de armazenamento de dados, possível devido a algumas técnicas no processo de gravação, com a compressão dos dados
Desenvolvido no fim da década de 1940, a partir de um material plástico, o vinil possui microssulcos ou ranhuras em forma espiralada que conduzem a agulha do toca-discos. A vibração é transformada em sinal elétrico e, posteriormente, em som
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