CINEMA

Viking está em busca de vingança no filme 'O Homem do Norte', em cartaz nos cinemas

Paulo Henrique Silva
phenrique@hojeemdia.com.br
Publicado em 13/05/2022 às 11:32.
Filme tem a assinatura de Roger Eggers, mesmo diretor de "A Bruxa" e "O Farol" (Universal/Divulgação)

Filme tem a assinatura de Roger Eggers, mesmo diretor de "A Bruxa" e "O Farol" (Universal/Divulgação)

É impressionante como as trajetórias dos cineastas Darren Aronofsky e Roger Eggers se interpõem, símbolos de um cinema americano singular e muito perturbador, a ponto de não deixar o espectador tranquilo em nenhum momento (e quando isso acontece, é bom desconfiar), caminhando muitas vezes por um terror psicológico.

Com “O Homem do Norte”, em cartaz nos cinemas, Eggers envereda pelo tema religioso na mesma chave questionadora e pessimista trilhada por Aronofsky em filmes como “Fonte da Vida”, “Noé” e “Mãe!”. Eggers registra a época dos deuses nórdicos, mas a forma como mostra a relação do homem com a Natureza não é diferente de Aronofsky.

A religião forma uma tríade, ao lado da Natureza e do ser humano. Ela não pertence ao Bem ou ao Mal e ganha uma conotação mais individualizada em “O Homem do Norte”. Essa abordagem, por sinal, representa um ponto de virada importante na narrativa do filme de Eggers, colocando em suspeita tudo o que passou pelos olhos do protagonista.

Passado 500 anos depois de Cristo, o filme acompanha a jornada de vingança do príncipe Amleth após perder parte da família e seu reino. Nessa caminhada, ele conhece Olga, uma espécie de feiticeira capaz de se comunicar com as forças da Natureza. Essas relações são muito próximas ao que Aronofsky estabeleceu em “Mãe!”.

No filme de 2017, há um Deus egocêntrico que se envaidece com a sua criação, permitindo que os homens promovam o caos, apesar do esforço da Mãe Natureza em trazer harmonia. A partir de uma interpretação particular de Gênesis, Aronofsky põe em dúvida esse Deus, como o fato de ter sacrificado seu filho em função da humanidade.

O Apocalipse de “Mãe!” não é muito diferente dos momentos derradeiros de “O Homem do Norte”. Não há esperança no ser humano. Numa leitura mais ampla, o filme explica o espírito beligerante dos homens, movidos pela ideia constante de conquistar e destruir, em oposição à Natureza. Uma obra inquietante, mas necessária em tempos como os de hoje. 

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