Após optar pelo encerramento da passagem de Felipe Conceição no Cruzeiro, o clube agiu rápido e acertou com Mozart Santos nesta quinta-feira (10). Assim como seu antecessor, o treinador é jovem e que tem como principal desafio conquistar o acesso à Série A do Campeonato Brasileiro, mas o trabalho não se resume a isso.

Desde a queda, em 2019, os comandantes da equipe celeste têm lidado com diversos outros fatores que vão além das quatro linhas. 

Ambiente instável

O Cruzeiro é uma bomba-relógio desde que as denúncias contra a gestão de Wagner Pires de Sá e Itair Machado (2018-2019) tornaram-se públicas. A chegada de Sérgio Santos Rodrigues à presidência do clube, em meados do ano passado, tinha como base muitas promessas, mas que, com o passar do tempo, foram difíceis de serem cumpridas. 

Recorrentes ações na Justiça, chegada e saída de jogadores e mudança de diretores em curto espaço de tempo são alguns fatores.

Situação financeira crítica  

Apesar de ter conseguido negociar e quitar algumas dívidas importantes, o clube segue com uma situação financeira catastrófica, o que afeta não só o poderio de investimento no mercado como também a manutenção dos salários em dia. A Raposa vem sofrendo para pagar os funcionários e atletas que estão no elenco desde o ano passado e têm valores a receber, mas sem previsão para arcar com os honorários. 

Falta de continuidade

Mozart será o quinto técnico da gestão de Sérgio Santos Rodrigues, que vende sempre a ideia de trabalho a longo prazo, porém não consegue colocar isso em prática.

Dos quatro treinadores anteriores, apenas Felipão comandou o time em mais de 20 partidas. Enderson Moreira deixou o clube após 12 jogos, Ney Franco, depois de sete, e Felipe Conceição ficou à frente da equipe em 19 duelos.

Ao se despedir do clube, Conceição citou “obstáculos e influências” em seu trabalho, deixando ainda exposta uma situação de falta de autonomia por parte do departamento de futebol. 

Pressão da torcida

A torcida do Cruzeiro tem se sentido pouco esperançosa quanto às decisões tomadas pela diretoria do clube, e isso reflete em impaciência com o trabalho desenvolvido dentro de campo. Enderson Moreira, Ney Franco e Felipe Conceição passaram pela desconfiança constante do torcedor.

Felipão talvez tenha sido o único com um pouco mais de respaldo, muito pelo fato de o treinador ter adotado um discurso completamente diferente de seus antecessores: em vez de falar em acesso, expôs feridas e problemas internos que faziam com que ele pensasse mais em Série C do que em G-4.

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