Atual líder do Mundial de Fórmula 1 com a Mercedes, Lewis Hamilton afirmou nesta quinta-feira (25) que o talento do rival Charles Leclerc está sendo "ofuscado" pelo fato de o jovem piloto monegasco de 21 anos ter passado a formar dupla com Sebastian Vettel, tetracampeão do mundo, na Ferrari, a partir deste ano na categoria máxima do automobilismo.

Agora com a experiência e a consagração de quem já ganhou cinco títulos na F-1, o britânico comparou a situação de Leclerc com a que ele próprio viveu em sua temporada de estreia pela McLaren, em 2007, quando fez parceria na equipe inglesa com o então atual bicampeão Fernando Alonso, vencedor dos campeonatos de 2005 e 2006 pela Renault.

Naquele ano, Hamilton e o espanhol terminaram o Mundial empatados como vice-campeões, apenas um ponto atrás do finlandês Kimi Raikkonen, que faturou o título pela Ferrari. E a relação complicada que o talentoso inglês teve com o seu parceiro de equipe foi um fator determinante para a saída do bicampeão do mundo da McLaren.

"Eu queria ganhar o mais cedo possível e queria bater o campeão contra o qual eu estava correndo, então isso é muito, muito semelhante (com a experiência atual de Leclerc na Ferrari)", disse Hamilton, no circuito de Baku, que neste domingo será palco do GP do Azerbaijão. E o piloto da Mercedes em seguida enfatizou: "Eu vejo muito de mim em Charles e ele está fazendo um grande trabalho até agora, com expectativas muito altas em uma equipe gigante como é a Ferrari".

Para o pentacampeão do mundo, forçar Leclerc a desempenhar um papel de fiel escudeiro de Vettel enquanto a Ferrari prioriza o alemão como o seu primeiro piloto poderá fazer com que as habilidades do monegasco sejam desperdiçadas ou não aproveitadas como deveriam. E em duas das três provas realizadas nesta temporada, na Austrália e depois na China, o jovem precisou obedecer ordens de equipe recebidas via rádio do seu carro que beneficiaram o seu parceiro de Ferrari e o irritaram, pois ele sabia que em ambas as ocasiões era competitivo o suficiente para ficar à frente do companheiro e buscar resultados mais expressivos.

"Eu posso entender como Charles se sente porque em seu coração ele acredita que ele é o melhor, ou possui o potencial para ser o melhor, e isso é quase como ter o seu brilho ofuscado", disse Hamilton. "Então, como um corredor, como um competidor feroz, você é naturalmente um tipo rebelde. Eles (da equipe) dizem para fazer uma coisa, mas o lutador dentro de você quer ir por outro caminho", completou.

Leclerc foi contratado pela Ferrari depois de ter realizado uma impressionante temporada de estreia na Fórmula pela Sauber, no ano passado. E agora ele diz que vai aceitar ordens de equipe "dependendo da situação". Na primeira prova desta temporada, em Melbourne, o piloto recebeu via rádio a determinação de não ultrapassar Vettel em certo momento do GP da Austrália, no qual o tetracampeão terminou em quarto lugar, logo à frente do monegasco.

Depois disso, em Xangai, já na 11ª volta do GP da China Leclerc foi obrigado pela Ferrari a abrir passagem ao companheiro de time para que o mesmo assumisse a terceira posição e pudesse ganhar tempo na missão de perseguir as Mercedes de Hamilton e Valtteri Bottas, que acabaram terminando a corrida nas respectivas primeira e segunda colocações.

O monegasco disse que conversou com integrantes da escuderia italiana sobre as possíveis futuras ordens que poderá receber nas próximas corridas e procurou ser compreensivo - e político - para não aumentar a polêmica em torno do assunto. "No fim, eles (membros da equipe) têm mais dados nos boxes do que eu tenho dentro do carro. Vamos ver o que vai acontecer no futuro", afirmou o piloto, que se viu próximo de sua primeira vitória pela Ferrari no GP do Bahrein, em Sakhir, onde liderava com boa vantagem antes de o motor de seu carro começar a apresentar problemas e ele ser ultrapassado pela dupla da Mercedes, fechando a corrida com um amargo terceiro lugar.

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