grávida após estupro

Hospital que recusou aborto a menina de 11 anos estuprada tem recomendação para fazer o procedimento

Da Redação*
22/06/2022 às 21:08.
Atualizado em 23/06/2022 às 09:03
 (Pixabay/DivuPixabay/Divulgaçãolgação)

(Pixabay/DivuPixabay/Divulgaçãolgação)

O Ministério Público Federal (MPF) em Santa Catarina recomendou à superintendente do Hospital Universitário (HU) Polydoro Ernani de São Thiago, em Florianópolis, Joanita Angela Gonzaga Del Moral, que garanta a pacientes que procurem o serviço de saúde a realização de procedimentos de interrupção da gestação nas hipóteses de aborto legal, sem restrições. 

A recomendação foi motivada pelo caso da menina no caso de uma menina de 11 anos, vítima de estupro, que teve o aborto legal negado pela instituição, considerada referência em casos de interrupção legal da gestação.

A alegação do hospital é que, após 22 semanas de gestação, só seria possível prosseguir com o aborto legal por meio de decisão judicial. O MPF está investigando a atuação do HU.

De acordo com o MPF, a decisão da unidade de saúde de negar a realização do aborto “ou a exigência de requisitos não previstos em lei nos casos de abortamento legal configura hipótese de violência psicológica, fere o direto à saúde das mulheres, a integridade psicológica e a proibição de submissão a tortura ou a tratamento desumano ou degradante das mulheres e diversos compromissos internacionais dos quais o Brasil é signatário", argumentou o MPF, em nota.

Entenda
O caso veio à tona em uma publicação do site de notícias The Intercept Brasil, na última segunda-feira (20). De acordo com a reportagem, no dia 4 de maio, a menina de 11 anos e sua mãe foram ao HU para tentar fazer o procedimento, que foi negado. 

Dias depois, a juíza Joana Ribeiro Zimmer e promotora Mirela Dutra Alberton, que eram responsáveis pela investigação do estupro, pediram para a menina manter a gestação por mais “uma ou duas semanas”, para aumentar a sobrevida do feto, além de proibir a realização do aborto. 

Uma decisão da magistrada chegou a manter a menina em um abrigo público, longe da família. Na terça-feira (21),  o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) determinou sua saída do abrigo e o retorno para a guarda mãe. O caso tramita em segredo de Justiça, "circunstância que impede sua discussão em público", enfatizou o tribunal. 

 Após a repercussão do caso, a juíza Joana Ribeiro Zimmer foi afastada do caso. Em nota, o TJSC informou que a Corregedoria abriu um procedimento investigatório sobre a condução do processo.

O caso gerou repercussão e, mais cedo, a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Cristiane Britto, se pronunciou sobre o assunto. "A mensagem que quero transmitir é: vamos pensar onde nós erramos e pensar em políticas públicas que eliminem todo o tipo de violência contra nossas crianças”, disse.

Outro lado
Procurada, a direção do Hospital Universitário informou que não repassa informações sobre procedimentos relacionados ao prontuário de pacientes atendidos na instituição. Além disso, destacou que "manifestações, no momento, não são possíveis porque o caso corre em segredo de justiça".

Sobre o critério para a realização de interrupção de gravidez, o Hospital reafirmou que, após o limite de 20 semanas de gestação, a unidade só faz o procedimento amparado por decisão judicial. "Quando ocorre de ultrapassar o limite da idade gestacional estabelecido pelo protocolo para conduzir o procedimento, orientamos a família a recorrer judicialmente para assegurar esse direito.”

O hospital universitário reitera, na nota, que realiza inúmeros encaminhamentos ao poder judiciário que, normalmente, defere o pedido com agilidade, compreendendo a complexidade e urgência da situação. “No entanto, há situações pontuais, cuja conduta do poder judiciário não corresponde à expectativa da equipe assistencial do HU em atender as demandas de saúde na sua integralidade", diz a instituição, ainda em nota.

Sobre a recomendação do MPF, a direção do HU alega que o órgão "não baseou seu pedido no parecer da equipe especializada" do hospital. “"Em todas as circunstâncias, o HU buscou garantir a assistência em saúde e os direitos humanos à criança, ofertando assistência à saúde, e avaliação da equipe multidisciplinar em relação à melhor conduta para a situação”, escreveu o hospital.

O Hospital Polydoro Ernani de São Thiago concluiu afirmando que a instituição “que é uma das únicas do Estado de Santa Catarina a oferecer um serviço de aborto legal, sempre trabalhou com intuito de assegurar o direito das mulheres", acrescentou.

(*) Com Agência Brasil

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