O descontrole da Covid-19 no Brasil contribuiu para o surgimento de novas variantes do coronavírus. Só em Minas, 13 cepas em circulação foram identificadas, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES). Nessa quarta-feira (7), a possibilidade de mais uma ameaça no ar foi informada, após publicação de pesquisa com a participação da UFMG.

As mutações do vírus preocupam especialistas e autoridades. Pelo pouco que se sabe, é possível cravar que algumas são mais agressivas e altamente contagiosas, o que contribui para o aumento das internações. Além disso, a eficácia das vacinas contra essas cepas não está completamente comprovada.

Segundo a SES, a vigilância genômica é realizada pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a universidade federal. No Estado, as 13 variantes foram atestadas após análise de 258 amostras. Duas delas são consideradas “de atenção”. São elas a B.1.1.7, do Reino Unido, e a P.1., de Manaus.

A britânica, identificada ainda em 2020, está ligada a um risco estimado de morte 64% maior, conforme pesquisa feita no Reino Unido. Ela foi associada a 227 mortes em uma amostra de 54.906 doentes, enquanto 141 pessoas morreram entre o mesmo número de infectados com variantes anteriores.

Já a amazônica foi identificada primeiro em Manaus, mas rapidamente se espalhou pelo país com a transferência de pacientes em estado grave, após colapso no sistema de saúde da capital do Norte do país. Minas, inclusive, recebeu doentes de lá. 

Neste caso, adultos contaminados têm uma carga viral dez vezes maior. Isso acontece porque a mutação alterou uma proteína do coronavírus.

Ações
Para conter o avanço da Covid-19, o governo estadual determinou, em 17 de março, o início da Onda Roxa, nível mais restritivo do Minas Consciente. Nessa quarta, porém, o Estado baniu o toque de recolher nos municípios.

Segundo o Secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, a circulação das “novas versões” do vírus também contribuiu para as mudanças no funcionamento das cidades.

“É um cenário nunca antes vivido. É o pior momento da pandemia, muito vinculado às novas cepas que vêm circulando no Estado. Diante disso, foi determinante a implementação da Onda Roxa”, afirmou, em recente entrevista.

Brasil
Em estudo divulgado na última segunda-feira, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) afirmou que existem no Brasil, desde o início da pandemia, 92 variantes da doença. Os dados foram sequenciados pela própria fundação em parceria com outros institutos.

Proteção
Os resultados preliminares de um estudo feito com mais de 67 mil trabalhadores da saúde de Manaus mostram que a CoronaVac tem 50% de eficiência na prevenção da doença após 14 dias da primeira dose. A pesquisa, do grupo Vebra Covid-19, é a primeira a avaliar a eficácia da vacina em um local onde a P.1. é predominante. Mesmo assim, os dados são iniciais e o artigo científico com as constatações deve ser publicado até o próximo sábado.

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