Se na semana passada o clima era de domingo em toda Belo Horizonte, por conta do comércio fechado e de pequena movimentação nas ruas, nesta segunda-feira (30) a situação já lembra uma tarde de sábado. A reportagem do Hoje em Dia percorreu ruas do Centro, da Savassi e da Serra e verificou que vários lojistas decidiram reabrir as portas.

Boa parte do comércio permanece fechada e muitas empresas ainda trabalham de forma remota, mas já houve um aumento perceptível no número de pessoas que circulam pelas ruas. Muitos ambulantes também já voltaram para os locais onde costumavam vender seus produtos.

Parte do comércio abre as portas, apesar da quarentena

Parte do comércio abriu as portas, apesar da quarentena

Lojas de setores considerados não essenciais estavam abertas – como comércio de roupas, tecidos, utensílios domésticos, molduras, artigos para festas, instrumentos musicais, tabacaria e sex shop. Todas elas não foram impedidas de abrir pelo decreto municipal que vigora desde o dia 20 de março, quando a Prefeitura decretou o fechamento de estabelecimentos que podem gerar aglomeração de pessoas, como bares, restaurantes, lanchonetes, shoppings, academias, entre outros.

Em entrevista a uma emissora de TV nesta segunda-feira, o prefeito Alexandre Kalil pediu mais uma vez que os moradores da cidade fiquem em casa, em nome da saúde de todos. Ele chamou de egoístas as pessoas que têm saído às ruas para fazer passeios ou exercícios. “Já acionamos a Procuradoria Geral do Município por desobediência (ao enfrentamento a) pandemia é crime, (temos que) colocar essas pessoas como criminosos”, disse.

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O movimento de pedestres cresceu no centro de BH

De acordo com a Guarda Municipal, foram realizadas 2.364 visitas a estabelecimentos comerciais entre o início de vigência do decreto municipal 17.304, no dia 20, e esta segunda-feira (29). Em nenhum caso foi necessário o acionamento da Subsecretaria de Fiscalização, pois os comerciantes atenderam as orientações de fechamento de portas quando necessário.

A Guarda informou ainda que houve situações pontuais de empresas que não eram abertas ao público, mas que os responsáveis apenas precisaram se adequar às determinações do decreto, restringindo o número de funcionários por espaço, respeitando a distância mínima entre eles e disponibilizando materiais para higienização. Disse também que aborda populares e faz um trabalho educativo junto a eles, explicando a necessidade do isolamento social como medida de enfrentamento à pandemia. ­­

Decreto estadual

Mesmo que o decreto municipal não trate de fechamento de vários tipos de comércio, está em vigor um decreto estadual do dia 20 de março em que o governador Romeu Zema manda fechar todo comércio não essencial em Minas Gerais. Muitas das lojas reabertas na capital não ferem o decreto municipal, mas vão contra o texto estadual – que ganha força por ter-se instituída a situação calamidade pública.

Procurado pela reportagem, o Governo de Minas esclareceu que continua em vigor o decreto de calamidade e a deliberação que determina o isolamento social, salvo em casos excepcionais, como a abertura de serviços essenciais, mas cabe a cada município seguir as regras orientadas pelo Estado. "Lembrando que a responsabilidade pela implantação das medidas é de competência dos municípios. O Governo, por meio da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), apoiará o poder de polícia administrativa das prefeituras. A PMMG atuará efetivamente para garantir a fiscalização dos  órgãos municipais", informou.

Segundo boletim divulgado nesta segunda-feira (30) pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), Minas Gerais tem 261 casos confirmados de Covid-19, sendo que 163 correspondem a Belo Horizonte. Foi confirmada a morte de uma idosa neste fim de semana pelo novo coronavírus e outros 23 óbitos são investigados. 

Em relação à abertura de comércio em Belo Horizonte, a SES informou que, na última sexta-feira (27), o governador Romeu Zema anunciou o início de um estudo para avaliar a possibilidade de liberar o funcionamento de alguns empreendimentos. "Neste momento, a questão encontra-se em análise e, no tempo oportuno, as definições serão comunicadas à sociedade", disse a secretaria. 

Um estudo realizado por pesquisadores da UFMG e da UFV indicou que, caso os belo-horizontinos não cumpram medidas de isolamento social, a cidade poderá ter até 90 mil casos graves de Covid-19 até o fim de abril. A única maneira de se evitar o total colapso no sistema de saúde (público e privado) é que a maioria da população fique em casa para combater a transmissão do vírus. 

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