Quem achou que, uma vez infectado, já estava livre do novo coronavírus vai ter que redobrar a atenção. Especialistas alertam que o primeiro caso de reinfecção no Brasil, no Rio Grande do Norte, reforça a necessidade de se manter os cuidados para evitar contrair novamente a doença, principalmente porque o segundo diagnóstico pode trazer consequências ainda mais graves.

Em Minas, 15 notificações de reinfecção são investigadas. Na capital, a prefeitura analisa sete relatos. Pelo protocolo, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) investiga quando a pessoa apresenta novo quadro clínico após 90 dias do primeiro episódio confirmado laboratorialmente. 

“O fato de já ter contraído a doença não muda em nada os cuidados que devem ser tomados. Não sabemos quanto tempo a imunidade dura; depende de cada organismo. Ter tido o vírus não torna a pessoa um super-homem, ela continua correndo riscos e a prevenção continua necessária”, afirma o presidente da Sociedade Mineira de Infectologia (SMI), Estevão Urbano.

O caso de reinfecção no Brasil é de uma profissional de saúde, de 37 anos, que teve a doença em junho e se curou, mas testou positivo de novo em outubro 

O especialista, que também faz parte do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 de BH, avaliou, ainda, que a reinfecção pode ser mais severa em alguns doentes. “Além disso, já foi comprovado que não dá para garantir que quem já teve vai ficar imune por mais tempo ou por um período pequeno. Por via das dúvidas e pelos relatos, é preciso manter a proteção individual para proteger a si e aos outros”, orientou.

Atitude condenada

Porém, esse cuidado não é visto por aí. É comum encontrar gente sem máscara, nos espaços públicos, sob a alegação de já ter testado positivo para a enfermidade. 

A atitude é condenada por médicos, que alertam para o risco de disseminação já que, principalmente no início da pandemia, os testes rápidos para detectar o vírus tinham baixa confiabilidade. Para os especialistas, muitos pacientes que acreditam terem contraído Covid-19 podem ter tido um resultado falso positivo e ainda estarem suscetíveis a contrair e transmitir a doença. 

“A positividade pode ter sido por infecção de outro vírus, uma reação cruzada. Essa incerteza faz com que as medidas de proteção precisem ser universais”, reforça Reginaldo Valácio, da Sociedade Brasileira de Clínica Médica.

Segundo ele, o exame mais confiável para atestar a Covid-19 é o RT-PCR, que verifica o vírus nas vias aéreas do paciente. “Nesse caso, é muito difícil dar falso positivo, é mais comum o falso negativo, especialmente quando é realizado fora da janela (primeira semana de sintomas)”, explicou o clínico. 

Pneumologista e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Júlio de Abreu afirma que um indício de que muitas pessoas tiveram um resultado falso positivo é o aumento de relatos de uma possível reinfecção. Para ele, muitas delas acreditam que tiveram Covid pela segunda vez mas, na verdade, foram infectadas por outro vírus quando do primeiro exame. “Por isso surge essa onda de (supostas) reinfecções”.

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