Câmeras de vigilância e até controles de acesso dos visitantes deverão ser implantados no Arquivo Público Mineiro (APM). Medidas visam a proteger o acervo da instituição cultural mais antiga do Estado. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (26), após a devolução de 280 documentos históricos furtados em 2015 e 2016.

A fragilidade do espaço foi percebida há três anos, quando funcionários identificaram a falta de alguns materiais. Segundo a promotora do Ministério Público (MP), Giselle Ribeiro, as investigações foram iniciadas em 2016 com a operação “Páginas Históricas”. 

“Percebemos que não eram furtos de um só dia e, sim, desaparecimentos graduais”, explica Giselle. Durante as apurações, foi percebido que muitas peças eram vendidas em leilões virtuais. Por meio deles, os investigadores conseguiram chegar aos compradores.

Desde então, mandados de busca e apreensão tiveram nove alvos – um em BH, outro em São Paulo, e dois no Rio de Janeiro, Distrito Federal e Rio Grande do Sul, onde um homem foi preso. Outros deverão ser cumpridos em breve, adiantou a promotora. “O detido temporariamente não colaborou com as investigações”, disse.

Na tentativa de evitar novos crimes, o MP elaborou um relatório com sugestões de medidas de segurança que deveriam ser adotadas no museu. O material foi entregue ao secretário de Estado de Cultura Marcelo Matte. O detalhamento da ações não foi divulgado sob a justificativa de que se as informações são “estratégicas”.

De acordo com o secretário, a pasta procura formas de assegurar verba para proteger mapas, documentos, plantas e outras “preciosidades” do APM. “Através do Fundo Estadual de Cultura, ou por meio Lei Estadual de Incentivo à Cultura, vamos adotar todas as medidas de segurança”, garantiu.

Apelo

Com intuito de localizar outros registros históricos, o MP criou um site com informações de arquivos desaparecidos. Segundo a promotora, aqueles que compraram documentos que pertencem ao APM, podem entrar em contato para a devolução. “Os que entregarem de boa- fé podem não ser processados”, acrescentou a promotora. O site para consultas já está disponível em patrimoniocultural.blog.br.

Segundo o secretário de Cultura e Turismo, Marcelo Matte, documentos furtados assinados por Tiradentes 
ainda estão desaparecidos. “É inestimável calcular o valor desse acervo. Para o país, 
não tem preço”

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