Após quatro dias lutando por suas vidas, morreram nesta sexta-feira (26) João Pedro Seabra Anízio, de 26 anos, e sua mãe, Élida Maria Seabra, 57, que foram baleados e queimados pelo ex-companheiro dela, na última segunda-feira (22), no bairro Universitário, na Pampulha. Os dois estavam internados no Hospital de Pronto-Socorro (HPS) João XXIII desde o dia do ataque. Na última terça-feira (23) o outro filho da vítima, Paulo Henrique Seabra Anísio, 23, também faleceu na unidade de saúde.

As morte de mãe e filho foram confirmadas pela assessoria de imprensa da Delegacia de Homicídios, da Polícia Civil (PC), que investiga o caso. Segundo a corporação, João Pedro faleceu pela manhã e, na parte da tarde, Élida também acabou entrando em óbito. Agora, os corpos serão encaminhados para o Instituto Médico Legal (IML) e passarão por novos exames antes de serem liberados para a família.

O autor do atentado, de 58 anos, se matou e foi completamente carbonizado no interior da casa. João Pedro, assim como o irmão, teve mais de 90% do corpo queimado, além de ambos terem sido atingidos por disparos de arma de fogo. Já a mãe deles, Élida Maria Seabra, 57, teve 80% do corpo queimado e foi atingida por um tiro em uma das mãos. 

O crime

O caso foi registrado pela PM por volta de 0h, quando vizinhos da família, que vivia na rua Cobre, ligaram para a corporação alertando sobre vários disparos de arma de fogo. Quando os policiais chegaram ao local, encontraram a mulher e os dois filhos dela na varanda da casa, todos com queimaduras por todo o corpo e ferimentos de arma de fogo. 

Das três vítimas, somente a mãe continuava consciente. Ela relatou aos policiais que vivia há 18 anos com o suspeito, mas que estava em processo de separação há cerca de um mês, sendo que o homem não aceitava o fim do relacionamento. A vítima contou ainda que estava chegando de uma viagem com os filhos quando se deparou com o ex-companheiro armado já dentro da casa. 

Sob ameaças, eles foram levados até o quarto da residência, onde ele derramou um galão de gasolina sobre a mulher e os filhos e ateou fogo nas vítimas. Quando eles tentaram fugir das chamas, o suspeito então efetuou vários disparos de arma de fogo. Ainda de acordo com a PM, homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) foram chamados e entraram no imóvel, encontrando o homem de 58 anos já sem vida e completamente carbonizado.

A perícia da Polícia Civil (PC) esteve no local onde encontrou uma pistola queimada pelo fogo próximo ao corpo do suspeito. Somente o médico legista dirá se ele atirou contra ele mesmo ou se morreu pelas queimaduras. O caso será investigado pela PC. 

Suspeito tinha três armas registradas

De acordo com a assessoria de imprensa da 4ª Região Militar, responsável pelo Exército de Minas Gerais, o suspeito tinha registro desde 2005 e estava atualmente com três armas registradas na corporação, todas elas com as documentações em dia. 

Entretanto, conforme a PM, um verdadeiro arsenal foi apreendido na casa da família. Foram recolhidas uma pistola calibre 22, outra calibre 380 e uma calibre 12. Além disso, também foram encontrados seis armas de ar comprimido, um soco inglês, uma besta (arco e flecha com gatilho), lunetas, tubos de pólvora e vasta munição dos calibre 12 e 22. Ele seria frequentador de clubes de tiro e colecionador de armas. 

Questionada sobre o que acontece quando uma arma legal é utilizada em um crime, o Exército explicou que, após ser apreendida pela investigação, caso ela não tenha importância para o julgamento, o armamento é encaminhado para o órgão. "Caso seja uma arma longa, existe a possibilidade de, após análise, ela ser doada para algum órgão de Segurança Pública", completa a corporação. 

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