Um jovem de 21 anos, morador de Bom Despacho, na região Central de Minas, foi sequestrado e mantido em cativeiro em Belo Horizonte, na manhã da última quinta-feira (8). A ação foi comandada de dentro da cadeia, por dois presidiários da Nelson Hungria, de 32 e 35 anos, que orquestraram também o rapto de uma criança de 7 anos, em Florestal, na Região Metropolitana, em junho deste ano. A dupla agia da própria cela, por meio de aparelhos celulares.

Veja, abaixo, o local onde o jovem de Bom Despacho foi mantido em cativeiro na capital mineira:

O crime em Bom Despacho ocorreu justamente quando os dois presos eram apresentados à imprensa, no Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp), na Pampulha, por conta do sequestro em Florestal. 

A vítima da última investida dos criminosos estava na casa em que vive com a tia de 60 anos, na região Central, quando a campainha tocou, por volta de 8h. Imaginando ser uma encomenda que iria receber, o jovem foi até o portão, assinou um recibo de confirmação de entrega, e foi abordado, em seguida, por dois homens e uma mulher armados. O grupo chegou a ir até o quarto da dona da casa, a acordou e perguntou onde estava o cofre da família. 

Como não tiveram resposta, os criminosos colocaram a vítima em um carro e disseram que ligariam para a tia dele, quando estivessem no cativeiro, para pedir resgate. A quantia exigida, no entanto, não foi divulgada pela Polícia Civil. O jovem teve uma blusa colocada na cabeça para não ver o trajeto até a casa, na capital mineira, onde seria mantido em cárcere. 

Ao chegarem ao local, segundo a vítima, uma das criminosas já o alertou: “não adianta nem tentar descer e sair correndo porque aqui é favela. Se dermos um tiro em você não vai dar nada para nós”. Ao todo, o rapaz ficou por 36 horas preso, é só foi libertado durante intervenção policial, às 21h do dia seguinte. 

Segundo o delegado da unidade especializada antissequestro, Ramon Sandoli, a quantia pedida pelo resgate não foi paga e o refém foi libertado após operação no cativeiro. Duas mulheres, uma de 29 e outra de 37 anos, foram presas em flagrante no local. As investigações, porém, continuam para descobrir quais os outros envolvidos no crime. “A vítima foi mantida em uma casa habitada na região urbana. A intenção é entendermos quem vive lá, qual a participação de outros dois homens que foram até a casa do rapaz arrebatá-lo”, afirma. 

Violência psicológica 

O crime era comandado por dois presos da Nelson Hungria, em Contagem. Quando foi tirada da cela para serem apresentados à polícia, a dupla estava passando instruções aos demais membros da organização criminosa, em Bom Despacho. Nesse momento, um dos presidiários destruiu imediatamente o telefone que usava dentro da cadeia. Isso fez com que o grupo no cativeiro perdesse contato com os mandantes. 

“Eles falaram que iam continuar por eles mesmos, já que já tinham feito tudo até aquele momento. Depois disseram que iam esperar até 17h, senão iam me soltar. Todo o tempo falavam que se eu ficasse quietinho não ia acontecer nada, mas se tentasse fugir eles iam picar meu corpo e mandar entregar pelo correio para minha tia”, conta a vítima. A senhora, de 60 anos, chegou a receber uma série de vídeos do sobrinho no cárcere. Os criminosos usavam o recurso para chantageá-la e fazer com que ela depositasse a quantia pedida para o resgate. “É desesperador, mas eu não podia fazer nada, chamei a polícia e confiei no trabalho deles”, relata a mulher. 

O jovem lembra que tentou memorizar todas as informações importantes sobre o cativeiro e os sequestradores, caso escapasse com vida. “Prestei atenção a tudo que eles falavam. Na casa, comigo, tinham cinco pessoas, mas entendi que participaram da ação umas oito ou nove pessoas. Gravei todos os nomes que pude, feições, tatuagens, o que pudesse ajudar a polícia a descobrir quem são essas pessoas”, diz.

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