Após a taxa de ocupação de leitos de UTI exclusivos para tratar pacientes com Covid-19 passar de 90% pelo segundo dia consecutivo, o prefeito Alexandre Kalil garantiu que não irá reabrir o comércio em Belo Horizonte nos próximos dias. Ontem, depois de se reunir com entidades a favor da quarentena e até mesmo do lockdown, o chefe do Executivo da capital desmarcou o encontro que teria hoje com representantes de comerciantes da cidade.

Por outro lado, o secretário municipal de Saúde, Jackson Machado, disse que o comitê de enfrentamento à pandemia segue analisando a proposta de rodízio no funcionamento dos estabelecimentos, entregue por representantes do comércio na semana passada.

“O comitê se baseia no protocolo da Universidade de Harvard, que prevê períodos de flexibilização alternados com períodos de retração de atividades. E é isso que estamos fazendo, independentemente de qualquer pressão”, frisou o gestor.

Flexibilização

Durante o encontro ontem, o prefeito reforçou que a flexibilização da quarentena depende da redução dos índices de contaminação e de internações na cidade. “Eu não tenho o que dizer a eles (aos empresários). Os números não nos permitem nada diferente do que está acontecendo hoje”, afirmou Kalil.

De acordo com o boletim epidemiológico, nos últimos dias houve incremento na quantidade de leitos de UTI para atendimento a casos de Covid-19, chegando a 360 no total. Desses, 327 estavam ocupados – 14 a mais se comparado ao dia anterior.

Mas mesmo com o acréscimo, a taxa de ocupação subiu. Na semana passada, o índice permaneceu em 87%. Mas, desde segunda, se mantém em 91%.<EM>

Fechamento

Desde 29 de junho, apenas os serviços essenciais estão liberados para funcionar em Belo Horizonte. A decisão, tomada pouco mais de um mês após a reabertura de parte do comércio, foi tomada por causa da explosão dos casos, mortes e internações em decorrência da doença.

Para evitar mais óbitos, o Conselho Municipal de Saúde (CMSBH) defende o fortalecimento do isolamento social, sem descartar o lockdown. “Pessoas pegaram o coronavírus em função do aumento da circulação nas ruas”, destacou Bruno Pedralva, secretário-geral da entidade. 

Porém, o comitê de enfrentamento não cogita, pelo menos por enquanto, o fechamento total da metrópole. “O lockdown está no nosso horizonte, mas não é o momento. A gente voltou à fase 0 no dia 29. Então, precisamos de um tempo para avaliar como está sendo a evolução desse processo. Caso as medidas que estamos fazendo agora estejam evoluindo de forma desfavorável, podemos propor medida mais radical sim”, explicou o infectologista Unaí Tupinambás, um dos três médicos que integram o comitê. 

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