Um culto ecumênico em homenagem às vítimas de Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi realizado nesta quinta-feira (25), dia em que marca três meses desde o rompimento da barragem da Vale, que deixou 233 mortos e outros 37 desaparecidos. Parentes das vítimas levaram roupas, fotos, cruzes e um caixão para o ato, realizado no marco na entrada do município. 

De acordo com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a homenagem aconteceu exatamente às 12h28, horário em que a estrutura se rompeu e derramou um verdadeiro mar de lama que engoliu trabalhadores e moradores da região do Córrego do Feijão, horário considerado por todos os parentes de vítimas como o momento da mudança de suas vidas.

Foram lidos os nomes de todas as vítimas e, a cada pessoa ainda não localizada, um balão branco era solto pelos parentes, emocionando a todos os presentes. O culto contou com a presença do bispo auxiliar da região, Dom Vicente Ferreira, e também um pastor evangélico.

Ainda conforme o movimento, centrais sindicais e movimentos sociais também participaram da homenagem, exigindo das autoridades o apoio imediato e intregral às vítimas e suas famílias, reparação e indenizações justas e a garantia dos empregos diretos e indiretos pela Vale.

“O ato aconteceu no horário do rompimento que atingiu uma grande massa de trabalhadores, que estavam dentro dos refeitórios da Vale e na unidade administrativa da empresa. É um crime contra os trabalhadores e o meio ambiente”, afirmou Joceli Andreoli, da coordenação nacional do MAB. 

91 dias de buscas ininterruptas 

Neste dia de homenagens, o Corpo de Bombeiros segue fazendo a sua parte para abrandar a situação dos familiares que ainda não puderam enterrar seus entes. O trabalho de buscas pelas vítimas entrou em seu 91º dia consecutivo. Ao todo, trabalham na área do rompimento 136 bombeiros e quatro cães farejadores divididos em 24 frentes de trabalho diferentes. Além disso, 101 máquinas pesadas são usadas pela corporação. 

Ainda de acordo com os bombeiros, as atividades se concentram na área interna da pêra, onde acontece a retirada dos rejeitos com caminhões de 100 toneladas, a construção da estrada para acesso de retirada de rejeito na frente 12 e continuidade da construção da estrada para retirada de rejeito do Chifre esquerdo do remanso 3. 

Além disso, as demais frentes de trabalho seguem atuando normalmente, sendo que em três pontos os militares trabalharão até as 23h desta quinta.

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