O avanço da Covid-19 preocupa e pode provocar um colapso em Minas. Nesta quinta-feira, o governador Romeu Zema (Novo) afirmou que a “trajetória ascendente de casos” tem surpreendido as previsões da equipe técnica. Conforme o gestor, é preciso barrar a transmissão da doença, pois, caso contrário, o sistema de saúde terá a capacidade esgotada em um mês.

"Nós sabemos que essa trajetória ascendente não pode continuar como está, sob pena de que, dentro de um mês, tenhamos um estrangulamento total no sistema de saúde, apesar de todos os esforços que fizemos", afirmou o governador. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), o estrangulamento poderá ocorrer se não houver mais leitos de terapia intensiva disponíveis para atender pacientes dentro da rede pública. 

Zema pediu apoio da população e dos prefeitos para conter a disseminação do vírus, evitando alguma medida mais drástica. Acompanhando Zema na coletiva, realizada na Cidade Administrativa, o secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, não descartou a possibilidade de haver lockdown (confinamento total) em alguns municípios em situação mais preocupante.

"Todas as possibilidades estão sobre a mesa. E, dentro dessas, nós temos chances, sim, de ter lockdown em algumas regiões ou, então, em algumas cidades específicas se isso mostrar que nós podemos estar tendo um descontrole da epidemia em alguma região específica", informou Amaral. “Há aproximadamente 15 dias, estamos nos reunindo com as secretarias municipais de saúde e prefeitos de várias regiões do estado, alertando para alguns lugares em que houve aumento da taxa de transmissão e redução do isolamento".

De acordo com o gestor, a pasta acompanha o crescimento de casos, que ocorre em várias regiões, incluindo a Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo ele, o objetivo é esse aumento não seja "grande", o que representaria a "perda de muitas vidas".

Como forma de evitar um lockdown, Amaral lembrou que, por meio do programa Minas Consciente, o Estado dá orientações e acompanha cada região. No entanto, o chefe da pasta cobrou que municípios não só façam a adesão ao programa, mas o cumpram efetivamente. Assim como o Minas Consciente não é impositivo, o Estado não obriga as cidades a adotarem o lockdown. A secretaria negocia localmente ou regionalmente a melhor forma de evitar a progressão da doença. 

"Não basta o município entender que está na Onda Verde (nível em que apenas estabelecimentos de serviços essenciais podem funcionar). Ele tem que estar na Onda Verde de fato, através de fiscalização, de orientação do cidadão, porque aí, sim, nós teremos o isolamento pertinente, compatível com a Onda Verde", disse.

Como informou Zema, entre as medidas de combate ao avanço da epidemia na atualidade no Estado estão os investimentos no aumento do número de leitos, na aquisição de respiradores e na preparação do Hospital de Campanha do Expominas, na região Oeste de Belo Horizonte. Outro ponto para controle está no retrocesso da flexibilização de parte dos municípios dentro do Minas Consciente, programa estadual de orientação para a flexibilização controlada do isolamento: nesta quinta, 187 cidades mineiras sofreram retrocesso de ondas.

"Nós, realmente, esperávamos um crescimento, mas não como ele tem se comportado nos últimos dias. Eu faço um pedido a todos os mineiros e, principalmente, aos prefeitos, que façam tudo o que está ao seu alcance", disse o governador. Nesta quinta-feira, o Estado registrou 33 novos óbitos por Covid-19, chegando a 570

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Todas as declarações foram feitas durante coletiva na tarde desta quinta-feira. Assista à reunião completa abaixo: