A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel-MG) apresentou à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) um plano de reabertura gradual para o setor. De portas fechadas desde 6 de março, a entidade cobra um posicionamento do município e apresenta motivos que poderiam possibilitar a flexibilização. Na capital, a decisão sobre a volta do comércio foi adiada e só deve ser conhecida nesta sexta-feira (16).

As propostas de retomada foram levadas pelo presidente da associação, Matheus Daniel, em reunião com o Secretário Municipal de Planejamento, Orçamento e Gestão de BH, André Reis. A sugestão é que o retorno dos estabelecimentos aconteça juntamente com a reabertura de outros setores da economia, conforme as reduções nos indicadores que monitoram a pandemia na cidade. Segundo o planejamento traçado, a indicação é que os bares e restaurantes funcionem das 11h às 16h, de segunda-feira a domingo, com a venda de bebida alcoólica e limite de quatro pessoas por mesa.

Caso os leitos de UTI e enfermaria fiquem com ocupação abaixo de 70% e o RT permaneça menor que 1, bares e restaurantes poderiam ampliar o horário até 22h, com tolerância até às 23h para que o salão seja esvaziado. Neste cenário, o limite será de seis pessoas por mesa, segundo a Abrasel.

Por fim, se as UTIs e leitos de enfermaria atingirem menos de 50% de ocupação e a taxa de transmissão continuar abaixo de 1, o setor pede que não haja mais restrição de horário, além da expansão do limite de oito pessoas por mesa e a retomada da músicas ao vivo - sem pista de dança.

Segundo o presidente da entidade, é fundamental para o segmento uma previsão e definição. Desse modo, será possível programar eventuais aumentos ou contenções de compras. “Todas as vezes fomos fechados sem aviso prévio todo o nosso estoque foi perdido. Grande parte das casas são frequentadas por famílias. Por este motivo, pedimos que crianças abaixo de 12 anos não sejam consideradas na contagem do limite de pessoas por mesa”, disse Matheus Daniel.

Outro pedido da entendida é para que a PBH altere o cálculo da taxa de ocupação de leitos e passe a considerar o número de capacidade de instalação. “É certeza que, com a doença desacelerando, a prefeitura irá desativar leitos como já fez anteriormente, redirecioná-los para outras especialidades e autorizar as cirurgias eletivas. Porém, é fundamental que a base de cálculo seja feita observando o número máximo de capacidade total. Se os leitos forem fechados novamente e o cálculo for pelo número de leitos do dia, os índices jamais cairão”, finalizou.

Em nota, a PBH informou que “em que pese a melhora dos índices de monitoramento, o Comitê de Enfrentamento à Covid-19 avalia as perspectivas de suprimento de insumos e medicamentos destinados à rede hospitalar de Belo Horizonte, para a tomada de decisões em relação à reabertura das atividades na cidade”. A PBH reforçou que a reunião para a definição do cenário, iniciada na quarta-feira, pode ser estendida até sexta.  

Cidade fechada

Belo Horizonte decidiu pelo fechamento do comércio e dos serviços considerados não essenciais em 6 de março. Além disso, no dia 23 do mesmo mês, proibiu o funcionamento, aos domingos, de supermercados, padarias, sacolões, lanchonetes, açougues e do Mercado Central. Com as medidas, bares e restaurantes (exceto para delivery), cinemas, feiras, escolas, lojas de vestuário, academias, eventos e parques não podem funcionar em quaisquer dias da semana como forma de frear o avanço da contaminação por Covid-19.

Ontem (14), membros do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 e o prefeito Alexandre Kalil (PSD) se reuniram para debater o atual cenário da pandemia na capital, mas adiaram a decisão sobre a reabertura do comércio de Belo Horizonte. O encontro entre o chefe do Executivo municipal e o grupo de infectologistas aconteceu a portas fechadas.

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