Belo Horizonte vai sediar, ainda este ano, um estudo que foi classificado como “a maior pesquisa de enfrentamento à dengue”. A medida foi anunciada na manhã deste sábado (4), pelo secretário de Vigilância à Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira. 

O estudo vai consistir na contaminação de fêmeas do Aedes aegypti com a bactéria wolbachia. A partir disso, todos os ovos que a fêmea botar sairão contaminados pela bactéria o que vai dificultar a contaminação por dengue. A prática com a Wolbachia já é desenvolvida em Niterói, no Rio de Janeiro, e o resultado é positivo, conforme o secretário.

“BH será  janela para o mundo. Uma agência americana vai investir US$ 20 milhões para desenvolver esse estudo”, disse Wanderson. A expectativa é de que o uso da bactéria comece em agosto, quando a circulação do Aedes é menos intensa, garantiu o gestor. “É uma ação importante, mas que não anula o trabalho do agente de endemias, a cooperação do cidadão, o uso de fumacê”, explicou.

Vão atuar de maneira conjunta no desenvolvimento do estudo a Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Há um mês, o Hoje em Dia noticiou que o Departamento de Imunologia da UFMG já estudava o teste da capital ainda este ano. À época, o coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Dengue e professor do Departamento de Bioquímica e Imunologia da UFMG, Mauro Teixeira, a wolbachia é uma das estratégias mais avançadas de controle vetorial.

O método consiste na inoculação da bactéria no ovo do mosquito. Na fase adulta os insetos são liberados. A substituição da população é gradual, a partir da transmissão da bactéria – que tem a capacidade de fazer com que o inseto não transmita doenças – pela fêmea a seus filhotes. Em Belo Horizonte, a bactérica deverá ser testada no Insetário.

O espaço, localizado no bairro São Francisco, está em fase final de construção e vai servir, exatamente, para a modificação química do Aedes aegypti por meio da bactérica wolbachia. Foram investidos R$15 milhões pela prefeitura de Belo Horizonte para o funcionamento do insetário. "Provavelmente a partir de agosto deveremos estar produzindo o aedes com o uso da wolbachia", garantiu Jackson Machado, secretário municipal de saúde de Belo Horizonte,

Vacina contra a dengue em fase final de produção 

Durante a visita ao centro de saúde Salgado Filho, o secretário do Ministério da Saúde ainda informou que uma vacina, capaz de proteger a população contra os quatro sorotipos da dengue, está em fase final de produção no país. 

A dose de imunização está sendo viabilizada pelo Instituto Butantan com dois laboratórios particulares. A vacina, conforme o secretário, está em fase de estudo populacional. O próximo passo será o registro na Anvisa. “Muito em breve teremos uma vacina brasileira disponível à população”, garantiu.

Minas Gerais ja registrou mais de 165 mil casos de dengue neste ano e 21 óbitos em decorrência da doença já foram confirmados.