Ônibus lotado, com passageiros espremidos, se tornou uma rotina diária para usuários do transporte coletivo em Belo Horizonte durante a pandemia do novo coronavírus. Para lidar com a situação, a BHTrans praticamente dobrou a fiscalização nas estações e ruas da capital mineira. O reforço nas ações para garantir a segurança dos passageiros ocorre no momento em que a cidade avançou na flexibilização social

Antes da reabertura do comércio não essencial, agentes da empresa que gerencia o trânsito na metrópole se revezavam para inspecionar, por dia, quatro terminais do Move. Agora, os fiscais estão presentes nas sete estações durante todo o período de circulação dos ônibus. 

Além disso, a BHTrans garantiu que ampliou os pontos de monitoramento nas ruas e avenidas da cidade. Equipes ficam distribuídas em sete áreas consideradas estratégicas, por causa do grande fluxo de passageiros, para verificar se os coletivos não estão transportando além da capacidade. 

Anteriormente à flexibilização, quatro pontos tinham a presença dos fiscais. Um dos locais que recebem diariamente a vigilância é o cruzamento das avenidas Amazonas com Contorno. 

Segurança

Esse conjunto de ações, conforme destacou o diretor de transporte público, Daniel Marx, é para garantir o cumprimento do decreto da prefeitura. "Tem uma rotina pesada e bem estruturada. Alguma eventualidade que não tiver sendo cumprida, é gerado a autuação", disse o gestor.

Por lei, os coletivos convencionais só podem circular com até dez passageiros em pé. Nos carros articulados do Move, o número sobe para 20 e, nos micro-ônibus, são permitidos até cinco usuários sem assento.

"O transporte é importante para as pessoas que precisam trabalhar. Então, ele tem que continuar sendo usado, e tem que ter essa garantia de segurança para os passageiros", destacou o diretor.

Infrações

Desde o início da pandemia, as empresas de ônibus que operam em BH receberam mais de 9 mil autuações, que renderam quase R$ 5 milhões em multas. Até o momento, nenhuma quantia foi paga. 

Presidente do consórcio responsável pelo transporte coletivo de BH (Transfácil), Ralison Guimarães frisou que as viagens realizadas em BH são baseadas na quantidade de passageiros. Segundo ele, em média, cada ônibus transporta 37 passageiros. "Pelo decreto poderia ser 47. Ou seja, estamos carregando menos usuários", destacou. 

No entanto, Guimarães reconheceu que às vezes pode haver transporte acima do permitido pelo decreto. "A pessoa não espera pelo próximo ônibus, principalmente no horário de pico. Mas diariamente tentamos ajustar as viagens", disse.

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Setra-BH) não se manifestou até a publicação desta matéria.

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